A princípio, não ficou claro por que razão o árbitro se dirigiu ao ecrã do VAR durante o jogo entre a Turquia e o Paraguai. Após analisar as imagens, ficou finalmente claro que Miguel Almiron teve de receber o cartão vermelho devido a uma nova regra.
Ao longo da primeira parte, Ivan Barton demonstrou várias vezes que se tinha preparado exaustivamente para as regras mais rigorosas do International Football Association Board (IFAB). Assim, o árbitro de El Salvador concedeu, por exemplo, um canto e um lançamento lateral à seleção turca, depois de o Paraguai ter demorado demasiado tempo a efetuar um pontapé de baliza e um lançamento lateral, respetivamente.
Nos acréscimos da primeira parte, o rigor do árbitro em relação às regras atingiu o seu auge — e resultou num cartão vermelho para Miguel Almiron, cuja causa, a princípio, não era compreensível.
Almiron fala com a mão na boca
No entanto, como as imagens em câmara lenta revelaram mais tarde, o paraguaio tinha levado a mão à boca durante uma aglomeração, quando aparentemente dirigiu algumas palavras depreciativas a Mert Müldür. O lateral-direito turco reagiu rapidamente e chamou a atenção do árbitro para o comportamento do seu adversário, o que, desde há pouco tempo, só pode ter uma consequência.
«Após análise, o número 10 do Paraguai tapou a boca com a mão. A decisão é: cartão vermelho», anunciou Barton com voz firme pelos altifalantes do estádio. Com isso, o árbitro agiu de acordo com a alteração ao regulamento proposta pela IFAB, que estipula: «A critério do organizador do torneio, qualquer jogador que, numa situação de confronto com um adversário, tapar a boca, pode ser punido com um cartão vermelho.»
O incidente com Prestianni como ponto de partida
No final de abril, a FIFA aprovou por unanimidade a alteração ao regulamento numa sessão extraordinária em Vancouver, no Canadá — com o objetivo de «combater comportamentos discriminatórios e inadequados».
O jogador do Benfica, Gianluca Prestianni, foi considerado o catalisador da «proibição de encobrir o rosto», tendo causado sensação de forma semelhante no final de fevereiro, na Liga dos Campeões, contra o Real Madrid. Durante uma troca de palavras com Vinicius Júnior, o argentino também tinha tapado a boca e, segundo o testemunho deste último, proferido insultos racistas contra o brasileiro. O próprio Prestianni negou esta acusação, mas acabou por ser punido pela FIFA com uma suspensão a nível mundial.






