sexta-feira, junho 19, 2026
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Após lesões graves: Martin vê agora a MotoGP de forma diferente

Jorge Martin superou inúmeras lesões graves ao longo da sua carreira — O piloto da Aprilia revela como isso mudou a sua visão do desporto motorizado

Jorge Martin já passou por alguns reveses na sua carreira. Fraturas, quedas graves e, mais recentemente, lesões prolongadas, que praticamente anularam o seu início na época de 2025 do MotoGP, marcaram-no profundamente.

Quando questionado se as muitas lesões o teriam tornado mais resistente à dor, Martin tem dificuldade em responder: «Essa é uma pergunta difícil.»

Em princípio, cada piloto lida com a dor à sua maneira. No que lhe diz respeito, porém, acredita ser capaz de «aguentar bastante dor». Ao mesmo tempo, o espanhol relativiza a suposta dureza associada aos pilotos de corrida. Afinal, a dor é, em última análise, bastante semelhante para todas as pessoas.

O que faz a diferença é a situação: «Quando estamos a conduzir, não a sentimos com tanta intensidade devido à adrenalina, ou só a sentimos depois.» Para Martin, o que é decisivo não é tanto o limiar de dor individual, mas sim a mistura extraordinária de adrenalina, pressão e concentração que se cria num fim de semana de corrida.

«Por isso, acho que se deve mais à adrenalina e à pressão a que estamos sujeitos, que nos permite, talvez, conduzir apesar da dor. Também depende da lesão.»

Martin valoriza mais a saúde

No que diz respeito à sua evolução como pessoa e piloto, Martin admite que as lesões dos últimos anos alteraram sobretudo a sua perspetiva: «Acho que a maior diferença é que agora aprecio verdadeiramente o momento.»

Antes da lesão, a vida como piloto de corridas passava por ele a um ritmo alucinante. «Tudo passa tão depressa que nem se percebe o quão bom é, na verdade, estar saudável e conduzir uma mota», diz Martin.

Só as fases difíceis é que lhe fizeram perceber a verdadeira importância da saúde: «Nesses momentos, percebe-se que se quer simplesmente manter-se saudável.»

Hoje, a sua valorização pelo dia-a-dia como piloto de MotoGP é ainda maior. «Agora estou saudável, sinto-me bem e estou incrivelmente grato por isso», salienta o piloto de 28 anos, que ainda no ano passado temia nunca mais poder correr na MotoGP.

Após várias lesões e uma queda grave no Catar em 2025, na qual sofreu, entre outras coisas, lesões nas costelas e um pneumotórax, Martin voltou, passo a passo, à moto. O seu regresso só se tornou viável após uma reabilitação intensiva e testes bem-sucedidos.

A mentalidade mudou, mas o estilo de condução quase não

Também a nível desportivo, Martin vê diferenças em relação ao que era antes, embora menos na condução do que na mentalidade: «A mentalidade mudou bastante no que diz respeito à vida de piloto ou à forma como encaro o fim de semana.»

O seu estilo de condução, por outro lado, manteve-se surpreendentemente constante. Embora refira a fase de travagem como o seu maior ponto fraco da época passada, no geral, o campeão mundial sente-se hoje de forma semelhante à de 2024. «Em termos de sensação, é muito semelhante», explica. «Tenho a sensação de que conduzo mais ou menos da mesma forma.»

A transição para a Aprilia exigiu, no entanto, algumas adaptações. «Tenho de seguir linhas diferentes das que seguia antes», diz Martin. Entretanto, já compreendeu essas particularidades e sabe exatamente como deve conduzir a moto.

«No geral, sinto-me exatamente igual como piloto», afirma o espanhol, acrescentando: «Espero, claro, estar melhor. Vou continuar a tentar melhorar.»

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