O Egito tinha colocado a atual campeã, a Argentina, à beira da eliminação. No final, porém, Mohamed Salah e companhia ficaram no relvado com um olhar vazio. Entretanto, o treinador criticou a equipa de arbitragem — e o horário do jogo em Atlanta.
«Temos de sonhar. Às vezes, os sonhos tornam-se realidade.» Foram estas as palavras proferidas pelo atacante Mohamed Zidan (44 internacionalizações e 11 golos) e antigo jogador da Bundesliga (entre outros, no Dortmund e no Mainz) antes do oitavo de final do Mundial dos egípcios. Após mais de 100 minutos de jogo, incluindo o tempo de compensação, no confronto com a atual campeã Argentina, podia-se afirmar: a equipa dos «Faraós» tinha, aparentemente, seguido exatamente este lema e colocado a Albiceleste à beira da eliminação.
No final, porém, nem mesmo algumas defesas fantásticas do guarda-redes Mostafa Shoubeir, que chegou a defender um penálti fraco de Lionel Messi, nem a vantagem de 2-0 foram suficientes. Os egípcios acabariam por perder completamente o controlo do jogo a partir dos 79.º minutos. O que tornou a derrota duplamente amarga: nunca antes uma equipa tinha perdido um jogo num Mundial por 2-0 a partir desse momento, dentro do tempo regulamentar e dos acréscimos, sem chegar à prorrogação. Um triste recorde negativo para os norte-africanos.
Tweet de Brady e o luto de Salah
Esta triste nota em tom menor levou Tom Brady a pronunciar-se logo após o final do jogo. O lendário quarterback da NFL recordou, num tweet marcado com um «X», o ano de 2017, quando, com a camisola dos New England Patriots, numa Super Bowl na altura altamente dramática contra os Atlanta Falcons, conseguiu uma recuperação espetacular após estar a perder por 3:28. Na altura, o craque só tinha conquistado o triunfo — um dos seus sete títulos no futebol americano — «apenas» no prolongamento — e, por isso, escreveu agora, referindo-se à reviravolta dos argentinos: «Isto deve até superar o 28-3.»
Mais um pequeno trago amargo para o Egito. Especialmente para o ícone Mohamed Salah, que, inicialmente, se empenhou muito com os seus colegas para causar a sensação neste oitavo de final e que chegou a sentir o cheiro da vitória. No final, porém, o avançado, cujo futuro no futebol de clubes ainda não está definido após a sua despedida emotiva do FC Liverpool, ficou abatido no relvado de Atlanta.
Certamente também porque esta poderá ter sido a última participação do herói do futebol egípcio num Mundial. Sobre isso, o jogador de 34 anos não disse nada imediatamente após este jogo furioso sem final feliz; pelo contrário, segundo os colegas, o veterano reuniu a equipa diretamente no balneário para expressar o seu orgulho por esta exibição. Um gesto fantástico, fruto da emoção.
«Parece que queriam que o Messi continuasse na competição»
Entretanto, o seu treinador, Hossam Hassan, direcionou as suas emoções, para além do orgulho que também sentia pelos seus jogadores, para a equipa de arbitragem da FIFA liderada pelo árbitro principal François Letexier — e de que maneira! O treinador da seleção nacional identificou, na sua opinião, várias decisões erradas contra a sua equipa — e, tal como muitos outros, teria gostado de ver marcado um penálti imediatamente antes do golo decisivo de 2:3 marcado por Enzo Fernández, no segundo minuto do tempo de compensação, após Alexis Mac Allister ter puxado a camisola do egípcio Hamdy Fathy, que estava a cair. Em vez disso, porém, o golo contou para o resultado final de 3:2.
«Um penálti a nosso favor nem sequer foi analisado pelo VAR», afirmou o treinador de 59 anos, com veemência, na entrevista após o jogo e, mais tarde, na conferência de imprensa. «Acredito que as consequências deste resultado vão muito além da própria derrota, pois não recebemos nem respeito nem fair play. Parecia que a delegação argentina tinha exercido pressão sobre o árbitro. Fomos melhores do que os campeões do mundo, mas o resultado foi influenciado por fatores internos e externos — a Argentina recebeu apoio a todos os níveis.»
A referida jogada em que a camisola foi puxada também não foi especificamente analisada pelo VAR durante a verificação obrigatória do golo, nem mostrada ao árbitro Letexier nos ecrãs da área de revisão. O que também surpreendeu Lutz Wagner, que, na sua análise para a ARD, tinha identificado uma infração: «Comportamento muito pouco inteligente… A Argentina teve muita sorte.»
E também Patrick Ittrich, que se reformou como árbitro ativo após a mais recente época da Bundesliga, na MagentaTV, concordou com esta opinião: na sua perspetiva, o VAR provavelmente não considerou a infração digna de intervenção, «de outra forma, não consigo explicar». Além disso, Ittrich acreditava ter percebido: «Todas as decisões controversas foram tomadas contra o Egito. As emoções negativas que daí resultam são compreensíveis.»
O treinador do Egito, Hassan, ainda tinha muitas dessas emoções: «Merecíamos a vitória. Todos viram que a camisola foi puxada. Mas eles, aparentemente, queriam que o Messi continuasse na competição. A vida é injusta, o mundo é injusto, mas por que razão não há justiça no futebol, no desporto? Fomos tratados de forma injusta. Eu até gostaria de dizer isto de forma suave e dizer: ‘Azar.’ Mas fomos tratados de forma injusta, foi uma injustiça.» Para ele, isso começou já com a hora do pontapé de saída, às 12 horas do meio-dia, hora local: «Quem marca um jogo para as 12 horas nunca jogou futebol. Os jogadores têm de almoçar às 7h30?»
A sua conclusão final: «Muitas coisas são questionáveis — dentro e fora do campo. Isso prejudica a credibilidade.» Por isso, já está farto deste Campeonato do Mundo de 2026: «Quando terminar aqui, não vou ver mais nenhum jogo deste torneio.»






