O Uruguai despede-se do Mundial com uma derrota por 0-1 frente à Espanha. Uma desilusão que pesa duplamente, uma vez que o seu rival, Cabo Verde, no Grupo H, conseguiu o 2.º lugar com apenas três pontos. O treinador Marcelo Bielsa deu, como é habitual, uma entrevista muito breve.
Três jogos, dois pontos. Para o Uruguai, a quem um empate a 0-0 contra a Espanha teria bastado para passar à fase seguinte, o Mundial de 2026 terminou já na fase de grupos. «Não consegui tirar partido do potencial e da força da equipa», afirmou um descontente Marcelo Bielsa à MagentaTV após a derrota final por 0-1 contra os ibéricos, que não eram de forma alguma superiores e não deram propriamente um espetáculo.
Mais tarde, o treinador de 70 anos voltou a abordar o assunto. «Os jornalistas e os adeptos do futebol uruguaio querem, com razão, atribuir-me a culpa. Sou o responsável e tenho de aceitar isso.» O seu período no cargo «ficará na memória como uma fase que não deixou nada para trás», afirmou «El Loco».
Bielsa retira o capitão do campo
As discussões em torno de Bielsa, já acaloradas, vão certamente ganhar força. O próprio treinador parece ter deitado achas para a fogueira ao retirar Fede Valverde do campo — aos 56 minutos. O capitão, cuja qualidade é inquestionável, não convenceu verdadeiramente neste torneio. No entanto, a expressão de espanto no rosto do astro do Real Madrid revelou que não ficou nada satisfeito com a substituição. Que palavras terá murmurado o jogador de 27 anos por baixo da camisola puxada sobre a boca? Talvez isso permaneça um segredo. Bielsa, de qualquer forma, justificou a substituição dizendo que esperava mais «qualidade ofensiva» do «joker» Federico Vinas.
A Celeste tem de assumir a responsabilidade pela sua eliminação, pois em todos os três jogos — nos quais os sul-americanos só conseguiram convencer em alguns momentos — havia potencial para mais. Uma profusão de oportunidades no empate 1-1 contra a Arábia Saudita, erros defensivos no empate 2-2 contra Cabo Verde e um desempenho que não foi propriamente pior na derrota por 0-1 contra a Espanha.
Muslera, um fator de incerteza constante
E sempre no centro de tudo: Fernando Muslera, que tinha sido chamado de volta por Bielsa especialmente para o Mundial. Nenhum dos quatro golos sofridos foi impossível de defender; o erro mais marcante do guarda-redes de 40 anos ocorreu no jogo decisivo da fase de grupos contra a Espanha, quando deixou escapar por entre as mãos um remate fraco e mal colocado de Alex Baena — o último capítulo de um Mundial catastrófico (42.º).
A consequência não se fez esperar: o veterano não voltou a entrar em campo após o reinício da partida. Segundo o especialista em transferências Fabrizio Romano, Bielsa atendeu a um pedido do seu guarda-redes: «Fernando Muslera pediu-me para ser substituído ao intervalo.» No entanto, quando questionado pela MagentaTV sobre o que tinha dito a Muslera relativamente à sua substituição, o treinador de 70 anos respondeu «nada» — e, após uma entrevista curta, como de costume, já tinha ido embora.
Tanto a escolha de Muslera como a substituição de Fede Valverde, bem como, naturalmente, a eliminação precoce do Mundial, podem agora vir a pesar sobre o experiente treinador.






