Há cinco anos, morria «Marvelous» Marvin Hagler, durante muitos anos o pugilista dominante na categoria dos médios. Acima de tudo, a sua incrível luta contra Thomas «Hitman» Hearns permanece inesquecível.
Ele foi uma das maiores lendas do boxe. Inspirou inúmeras estrelas que vieram depois dele – entre elas, Wladimir Klitschko.
Emanuel Steward, o antigo treinador do ucraniano, utilizava vídeos das lutas de «Marvelous» Marvin Hagler como material ilustrativo e fonte de motivação antes dos combates do antigo campeão mundial dos pesos pesados. «E deixem-me que vos diga: funcionou», relatou Klitschko, após a morte inesperada de Hagler há quatro anos.
Hagler, natural de Newark, Nova Jérsia, que teria completado 71 anos neste dia 23 de maio, foi um dos melhores pugilistas de peso médio da história. De 1980 a 1987, foi campeão mundial e exerceu um domínio quase sem precedentes na sua categoria de peso. Venceu 62 das suas 67 lutas profissionais, 52 por K.O. – também neste aspeto, o seu palmarés foi histórico.
A luta mais importante de Hagler
Hagler conquistou os títulos mundiais do WBC e da WBA no Estádio de Wembley, em Londres, contra o britânico Alan Minter; o título da então recém-criada IBF foi conquistado em 1983, com uma vitória sobre o seu compatriota Wilford Scypion.
No entanto, a luta provavelmente mais importante de Hagler foi o duelo com Thomas Hearns em abril de 1985, que ficou na história como «The War» («A Guerra»). Hagler venceu a luta contra o igualmente lendário «Hitman» (que também deu nome à estrela de wrestling Bret «Hitman» Hart) em Las Vegas, no terceiro assalto.
Antes disso, travou com Hearns — que era ele próprio um pupilo de Steward, o futuro treinador de Klitschko —, desde o primeiro assalto, uma batalha tão cheia de ação e brutal que, apesar da sua brevidade, ficou na memória como um clássico.
Posteriormente, Hagler voltou a defender com sucesso os seus títulos contra John Mugabi (Uganda), antes de perder por pontos, de forma controversa, em abril de 1987, mais uma mega-luta contra «Sugar» Ray Leonard, treinado pelo antigo treinador de Muhammad Ali, Angelo Dundee.
Hagler passa a ser ator
Hagler encerrou a sua carreira em junho de 1988, depois de a superestrela Leonard ter recusado uma revanche e, entretanto, se ter retirado. Posteriormente, Hagler mudou-se para Itália e tornou-se ator de cinema. Participou em vários filmes de ação e na comédia de ficção científica «Virtual Weapon», com Terence Hill.
A revista Boxing Illustrated elegeu o pai de cinco filhos – que registou oficialmente a alcunha «Marvelous» como primeiro nome na sua passaporte – como o pugilista da década. Hagler foi, entre outras coisas, o grande ídolo do seu sucessor alemão no título mundial, Felix Sturm, sobre quem Hagler proferiu palavras elogiosas com grande repercussão mediática quando este enfrentou, em 2011, Ronald Hearns, o filho do seu grande rival. Sturm também estabeleceu contacto pessoal com o seu modelo.
«O talento que ele tinha, aliado à paixão e à rapidez: alguém assim não voltará a existir.» «No ringue, era um verdadeiro animal. Encarava cada combate como uma guerra. Era incondicional.»
A morte de Hagler abala o mundo do boxe
A 13 de março de 2021, Hagler faleceu na sequência de uma emergência médica, depois de ter sentido dores no peito e dificuldade em respirar na sua residência em New Hampshire.
Esta perda inesperada chocou também o mundo do boxe a nível humano. Hagler tinha, entre outros, laços pessoais com Lennox Lewis e os Klitschko.
«Era um guerreiro no ringue e uma boa alma fora dele», descreveu Wladimir Klitschko o seu lendário colega. Hagler tinha 66 anos.






