Será que, em 2027, o formato da qualificação e da corrida, bem como o desenrolar das provas, serão alterados no DTM? No Sachsenring, realizaram-se conversações intensas com as equipas
A reunião dos chefes de equipa, na quinta-feira à noite, antes do fim de semana do DTM no Sachsenring, durou mais de quatro horas: as equipas tinham sido convidadas antecipadamente a apresentar ideias sobre como melhorar o DTM em 2027. No centro da discussão esteve a melhoria do formato das qualificações e das corridas, bem como a potencial introdução de sensores de binário.
Sobretudo a qualificação de 20 minutos tem sido alvo de críticas desde 2023, porque durante dez minutos não se conduz, razão pela qual o ex-diretor desportivo da Mercedes, Norbert Haug, exigiu recentemente alterações. O modo atual poderá ser substituído em 2027 por um formato dividido em duas partes. Isso significa que, inicialmente, todo o pelotão participa numa sessão de qualificação cronometrada de dez minutos e os 10 primeiros classificam-se para uma espécie de «shootout», que decorre imediatamente a seguir.
«Temos, sem dúvida, de garantir que não ficamos dez minutos nas boxes», esclarece o chefe de equipa Torsten Schubert. «Ou seja: reduzir o tempo da qualificação propriamente dita e, em seguida, realizar uma qualificação individual, na qual se faz mais uma volta única.»
Eis como poderia ser o formato de qualificação em duas partes
A segunda parte poderia decorrer imediatamente a seguir — e com os mesmos pneus da primeira parte. O facto de os pilotos fora do top 10 terem, assim, uma pequena vantagem em termos de pneus devido ao menor tempo de condução, poderá proporcionar mais emoção à corrida.
Já no passado tinha sido considerada a possibilidade de encurtar a qualificação para dez ou 15 minutos. No entanto, a Mercedes-AMG, em particular, não concordou com isso, uma vez que o seu próprio carro tinha dificuldades em aquecer os pneus Pirelli não aquecidos e, por isso, dependia do «heat-soak». Neste processo, o pneu é aquecido através dos travões após uma volta nas boxes, antes de se partir em busca dos melhores tempos.
No entanto, os pneus especiais do DTM introduzidos este ano atingem a temperatura mais rapidamente, o que aponta a favor de uma alteração. «Precisamos de um pouco mais de emoção e de mais ação», afirma Thomas Jäger, que ocupa o cargo de diretor desportivo da divisão DTM na AMG, mostrando-se favorável a uma alteração.
Qualificação imediatamente antes da corrida?
«Se virmos, noutras séries, tal como em Spa, como pode ser um shootout deste tipo, então faria bem ao DTM criar um formato mais emocionante», afirma ele. Nas 24 Horas de Spa-Francorchamps, foi introduzido este ano um formato em que, no final, os quatro primeiros classificados se enfrentam numa prova de contrarrelógio individual.
Mas também o horário está em discussão: atualmente, a qualificação do DTM está normalmente agendada entre as nove e as dez da manhã, altura em que muitos adeptos ainda nem sequer estão nas bancadas. Segundo se ouve dizer, a ProSieben, parceira televisiva, também seria a favor de que a qualificação fosse adiada para mais tarde e só terminasse meia hora antes do início da corrida. Aliás, isto já foi discutido há três anos.
Duas paragens obrigatórias em ambos os dias de corrida?
Mas não foi só o formato da qualificação que fez parte da discussão, mas também o da corrida. Aparentemente, a maioria concorda que a segunda paragem obrigatória, que desde 2025 proporciona mais emoção ao domingo, também poderia ser introduzida ao sábado. No entanto, nesse caso, a janela de paragens nas boxes deveria ser alargada para reduzir o risco no pit lane, segundo uma das exigências.
Também foi discutida a prática de parar deliberadamente os carros no sábado para poupar pneus para o domingo. Isso poderia ser evitado atribuindo aos pilotos um ponto por cada volta percorrida. A desvantagem: se um piloto se envolver num acidente sem ter culpa, os danos são o dobro.
Um cenário mais provável é que seja disponibilizado aos pilotos, em todos os fins de semana, um quarto conjunto de pneus para os dias de corrida, enquanto em 2026 serão três em metade das corridas.
Os sensores de binário continuam a ser controversos
Foi debatida a possível introdução dos sensores de binário, que já são padrão no Campeonato Mundial de Resistência (WEC) e na série norte-americana IMSA. Estes medem diretamente na roda a potência que chega. Desta forma, obter-se-iam melhores dados para a elaboração do Balance of Performance (BoP) e seria possível impedir que os fabricantes e as equipas recorressem a artimanhas ou blefes no que diz respeito à potência do motor.
No entanto, os custos elevados pesam contra a sua introdução. «Eu também apresentei uma proposta», revela Schubert. «Devia-se começar a atribuir pontos a partir dos treinos livres, para que todos mostrem do que são capazes. O que não precisamos é de ainda mais tecnologia de medição adicional.» Ainda nesta época, foram introduzidos obrigatoriamente inúmeros sensores, o que aumentou os custos.
Como é que as coisas vão avançar após esta reunião que, na opinião de quase todos os envolvidos, foi extremamente construtiva? «Discutiu-se muito; agora cabe ao ADAC organizar tudo e apresentar uma proposta», afirma Schubert.







