sexta-feira, janeiro 23, 2026
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«Começamos quase do zero»: o que a Yamaha espera do novo começo com o V4

A Yamaha aposta numa mudança radical de conceito em 2026, mas já tem objetivos claros em mente para a primeira temporada de MotoGP com o novo motor V4

Com a apresentação da nova M1 para a temporada de MotoGP de 2026, a Yamaha abre um capítulo completamente novo. Pela primeira vez em décadas, o fabricante despede-se do tradicional motor em linha e aposta num conceito V4 – uma mudança técnica que se faz sentir tanto na garagem como na pista.

O chefe de projeto Paolo Pavesio, o diretor da equipa Massimo Meregalli e o diretor técnico Takahiro Sumi deixam claro: 2026 não é um ano de transição comum, mas o início de um retorno de longo prazo ao topo da categoria rainha.

A maior mudança em décadas

Para Meregalli, está claro: em termos técnicos, trata-se de uma revolução sem precedentes para a Yamaha. «A maior mudança de todas é de natureza técnica», salienta.
Nos últimos dez a quinze anos, uma nova moto era, na maioria das vezes, apenas um aperfeiçoamento do modelo anterior. Agora, porém, começa-se com «um pacote completamente novo», o que representa um «passo enorme, gigantesco».

Começa-se «quase do zero», admite Meregalli, sabendo muito bem que isso implica uma enorme quantidade de trabalho. Ao mesmo tempo, porém, predominam o orgulho e a expectativa: a equipa está «realmente entusiasmada, muito orgulhosa e totalmente empenhada» em conduzir a nova M1 a um futuro de sucesso, mesmo que isso ainda leve algum tempo.

Diretor da Yamaha espera um ano dividido em duas partes

Meregalli formula as expectativas para 2026 com a devida cautela. A temporada terá de ser claramente dividida em duas fases. Primeiro, será necessário compreender a nova moto: um processo de aprendizagem intenso para a equipa e os pilotos.

Somente na segunda metade da temporada espera-se uma melhoria gradual dos resultados de Fabio Quartararo e Alex Rins. Um fator chave para isso: o programa completo de testes.

«A lista é bastante longa», diz Meregalli, referindo-se às tarefas que estão por vir. É fundamental ter o maior número possível de dias de testes em pista seca para coletar dados confiáveis. O objetivo é concluir o primeiro teste oficial «com informações realmente sólidas» nas quais o fabricante possa se basear.

Moto V4 deve trazer maior janela de desempenho

Do ponto de vista técnico, Takahiro Sumi descreve a mudança para V4 como um passo consciente para superar os limites estruturais do conceito anterior. Um dos principais objetivos é alcançar «uma janela de desempenho mais ampla». «Já numa fase inicial, pudemos observar progressos encorajadores em alguns elementos-chave, como uma melhor estabilidade na travagem e aceleração e uma sensação de condução constante em longas distâncias», afirma Sumi-san.

Ao mesmo tempo, ele não esconde que ainda existem áreas em que o novo V4 não atinge o nível do familiar motor em linha. É exatamente aqui que a experiência acumulada da Yamaha entra em ação para continuar a desenvolver a nova arquitetura. No entanto, o sucesso não é medido apenas pelos resultados.

Trata-se de fornecer «a prova da direção correta do desenvolvimento». Se a dinâmica comum da equipa e dos pilotos se mantiver, «os resultados virão», e mais cedo do que tarde, afirma o diretor técnico com confiança.

«Explorar todo o potencial» já em 2026

O diretor de projeto Pavesio apela ao realismo. «Não há magia neste desporto», afirma abertamente. O MotoGP é, basicamente, um desporto mecânico, no qual é preciso aceitar que o caminho de volta ao topo leva tempo. E é exatamente esse caminho que a Yamaha já começou a trilhar em 2025.

A Yamaha encontrou a velocidade pura no ano passado, lembra Pavesio: cinco pole positions e dez largadas na primeira fila são a prova disso. O que faltava, porém, era consistência, especialmente em corridas longas.

É exatamente aí que o novo pacote deve entrar em ação. «Acreditamos que ele nos oferece mais potencial de crescimento durante a temporada. Partimos do princípio de que aprenderemos rapidamente assim que começarmos as corridas e esperamos um desenvolvimento crescente ao longo da temporada», prevê Pavesio.

Não é possível determinar em que corrida específica ocorrerá a virada. «Os nossos pilotos estão extremamente motivados. E acreditamos que a nova M1 atingirá todo o seu potencial ao longo da temporada.»

Quartararo: mudança sim, processo de aprendizagem não

Do ponto de vista do piloto, Quartararo não está preocupado com a mudança para o motor V4. Ele mostra-se confiante: não vê para si um processo de aprendizagem clássico.

«É claro que se pensa que se trata de uma Yamaha, mas é uma moto completamente nova. Desde o meu primeiro dia em Barcelona, adaptei-me rapidamente, especialmente ao novo comportamento do binário», na sua opinião, a maior mudança em comparação com a Yamaha de motor em linha.

É claro que o estilo de condução terá de mudar, não só por causa do motor, mas por causa de toda a moto. O maior desafio agora é encontrar uma base sólida e compreender onde está o limite. «A partir daí, podemos realmente concentrar-nos no desempenho», afirma Quartararo. Rins também vê o recomeço como uma oportunidade, não só para a Yamaha, mas também para si próprio. Em comparação com Quartararo, há muito tempo o carro-chefe da Yamaha, ele já conseguiu recuperar terreno no ano passado, salienta o espanhol.

Agora, porém, um novo projeto começa para todos. O foco, no entanto, está primeiro no desenvolvimento, não na posição. «Temos de levar esta moto ao topo», diz Rins. O decisivo será o resultado dos próximos testes de pré-temporada. Só então se verá para onde a viagem realmente vai levar.

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