Uma equipa que não marca golos, um treinador que, em pouco tempo, já esgotou toda a confiança, e adeptos que mandam a direção para o inferno: no River Plate, eclodiu uma grande crise.
É uma série negativa como não se via há 115 anos no River Plate. Os Millionarios atingiram o ponto mais baixo, por enquanto, no domingo passado contra o Rosario: no Estádio Monumental, em casa, sofreram mais uma vez uma derrota por 0-1 — e ainda por cima devido a um autogolo do veterano e campeão do mundo Nicolás Otamendi.
O jogador de 38 anos só regressou ao seu país em julho, vindo do Benfica de Lisboa, e é apenas uma das muitas contratações de renome. Entre outros, também chegaram a Buenos Aires o ex-jogador do Frankfurt Rafael Borré (proveniente do Internacional de Porto Alegre), Mauro Arambarri (do FC Getafe), Lucas Beltran (emprestado pela AC Florença) e, acima de tudo, o avançado de longa data do Atlético de Madrid, Ángel Correa — o clube mexicano Tigres arrecadou uns impressionantes 13,5 milhões de euros pelo jogador de 31 anos.
No entanto, a dinâmica negativa das últimas semanas do torneio Apertura não foi travada nem mesmo pelas muitas contratações, sobretudo porque Correa, a contratação recorde, lesionou-se na coxa direita na sua segunda participação pelo Gimnasia y Esgrima La Plata e, desde então, não tem podido jogar. O jogo terminou para o River Plate, tal como os três jogos anteriores do campeonato no Clausura, com um resultado de 0-1.
Os «Millionarios» cambaleiam de derrota em derrota. A série negativa começou a 24 de maio com um 2:3 contra o Belgrano de Córdoba na final do Apertura e continuou sem interrupção. Na Zona B do torneio Clausura, o River Plate ocupa o último lugar, sem pontos.
Além disso, a equipa sofreu também uma derrota por 1:3 frente ao CA Aldosivi na segunda ronda da Copa Argentina. Pela primeira vez desde 1911, o River Plate perdeu assim cinco jogos consecutivos em competições da Federação Argentina de Futebol (AFA). Mais uma derrota contra o CA Tigre no próximo sábado e o pior início de época da história do clube na era profissional estará consumado.
O difícil legado de Coudet e os assobios dos adeptos
No meio do fogo cruzado das críticas está Eduardo Coudet, um treinador que só assumiu o cargo em março passado e teve de enfrentar um legado difícil. Marcelo Gallardo conquistou, nos seus dois mandatos (de 2014 a 2022 e de agosto de 2024 a fevereiro de 2026), 13 títulos, incluindo duas Copas Libertadores. O antigo jogador do River Plate esteve 510 vezes à beira do campo como treinador, antes de se demitir após três derrotas consecutivas. «As coisas não correram como tínhamos planeado», afirmou na sua despedida, que foi acompanhada por «emoções e dor, porque não alcançámos os nossos objetivos».
Entre os adeptos, a dor há muito que se transformou em raiva. Já se ouviam assobios contra alguns jogadores e também contra o treinador Coudet durante a leitura da escalação antes do jogo contra o Rosario. Após o suposto autogolo de Otamendi aos 27 minutos, o ambiente, já de si tenso, piorou ainda mais, e nem a direção escapou ilesa dos cânticos dos adeptos. Quando a próxima derrota ficou definitivamente selada, apesar de um cartão amarelo-vermelho para Emanuel Coronel, do Rosario, aos 83 minutos, um «Têm de sair todos» ressoou pelo Monumental, que, na verdade, já viveu tempos melhores.
Os apelos por Ramón Díaz ganham força
Resta saber como vai evoluir a situação no River Plate e se o clube vai ceder ao reflexo de mudar de treinador. Os adeptos já exigiram o regresso de Ramón Díaz: nas suas três passagens pelos «Millionarios», o técnico de 66 anos conquistou sete títulos nacionais e dois internacionais, incluindo a Copa Libertadores de 1996. Desde que se despediu do clube brasileiro SC Internacional, em novembro de 2025, que se encontra sem clube.
Muita agitação, acompanhada de uma pitada de especulações — mas o que dizem, afinal, os responsáveis do River Plate? A resposta: por enquanto, mais nada.
O clube impôs-se um silêncio total, pelo que a conferência de imprensa de Coudet após a derrota contra o Rosário acabou por não se realizar. O treinador enviou, no entanto, uma breve mensagem através de uma nova foto de perfil no WhatsApp. «Os covardes não fazem história», lia-se nela. Mas ele já sabia, logo após a derrota anterior por 0-1 contra o La Plata, que teria de reescrever a sua própria história o mais rapidamente possível. «O River não te dá margem de manobra nem tempo», tinha dito o treinador de 51 anos na altura.
O que dá esperança ao River Plate
Mas ainda existem, afinal, os raios de esperança para a equipa com as camisolas brancas e a diagonal vermelha. Afinal, no final de maio, os «Millionários» venceram por 3-0 o Club Blooming, da Bolívia, na Copa Sudamericana, e vão defrontar o clube colombiano CD Santa Fe nos oitavos-de-final. Um título ainda está ao alcance e, com ele, a qualificação para a competição internacional da próxima época.
Também no mercado de transferências, o River Plate deverá voltar a agir, dadas as circunstâncias. O principal candidato é o médio Thiago Almada; segundo se diz, o Atlético de Madrid não colocará obstáculos no caminho do campeão do mundo de 2022 e participante no Mundial de 2026.
O jogador de 25 anos, natural de Buenos Aires, parece estar aberto a uma transferência para o seu país natal — mesmo que o River Plate não tenha, neste momento, argumentos de peso a apresentar.






