No final de fevereiro, o IFAB, órgão internacional responsável pelas regras do futebol, aprovou seis alterações regulamentares que, entre outras coisas, visam alargar os poderes do VAR. No entanto, ao que tudo indica, a Premier League não irá adotar essas alterações.
Na assembleia geral anual da autoridade reguladora IFAB (International Football Association Board), realizada no País de Gales no final de fevereiro, foram aprovadas seis novas regras. Entre elas encontram-se, entre outras, regras que visam alargar as competências do VAR no futuro. Com a ajuda do assistente de vídeo, será possível, no futuro, corrigir cartões amarelos-vermelhos, caso a segunda advertência num cartão amarelo-vermelho tenha sido clara e manifestamente errada. Além disso, o VAR poderá corrigir decisões erradas relativas a pontapés de canto, desde que o pontapé de canto indevidamente marcado seja imediatamente detetado pelo VAR e corrigido pelo árbitro, sem que se verifique um atraso significativo.
A organização de árbitros PGMO manifesta reservas
Embora as novas regras devam entrar em vigor, entre outros eventos, no Campeonato do Mundo nos EUA, México e Canadá (de 11 de junho a 19 de julho), elas não são bem recebidas em todos os lugares. Também na DFB (Federação Alemã de Futebol) considera-se que estas não foram «pensadas de forma coerente» e vê-se no árbitro quem mais sofre com isso.
Na Inglaterra, as mudanças também são vistas com ceticismo — e tudo indica que a Premier League se oporá à introdução das regras. Segundo uma reportagem do Guardian, as conversas entre a liga e a organização de árbitros PGMO (Professional Game Match Officials) foram determinantes para isso. No entanto, nada está ainda decidido, uma vez que a decisão final será tomada em junho, na assembleia geral anual dos clubes — mas a PGMO desaconselhou uma ampliação dos poderes do VAR.
A FIFA tem uma opinião diferente
Como se depreende ainda da reportagem, os clubes não estão dispostos a ignorar as instruções da PGMO, pelo que é de esperar que tal seja decidido em junho. Isso é possível porque a IFAB deixou ao critério das respetivas ligas e federações a decisão de adotar ou não as regras recentemente aprovadas em fevereiro.
Na PGMO, há receios de que o recurso adicional ao VAR nas decisões sobre cantos e cartões amarelos-vermelhos possa prolongar consideravelmente a duração dos jogos, o que não seria do agrado dos detentores dos direitos televisivos e, além disso, poderia aumentar a pressão sobre os árbitros.
Entretanto, a FIFA defende uma opinião diferente — razão pela qual as novas regras serão também avaliadas pela primeira vez no Mundial. Pierluigi Collina (presidente da Comissão de Árbitros) e o presidente Gianni Infantino terão manifestado receios de que uma decisão errada sobre um canto possa ter uma influência decisiva num jogo do Mundial, especialmente na fase eliminatória. O argumento do prolongamento da duração do jogo preocupa menos a FIFA. Entre outras razões, porque isso já acontecerá de qualquer forma devido aos intervalos de três minutos para hidratação em cada parte do jogo.






