A duas semanas do início do Mundial de Futebol, o sindicato dos jogadores FIFPRO alerta para a sobrecarga dos profissionais devido ao elevado número de jogos disputados ao longo de um ano. Entre os jogadores mais sobrecarregados encontra-se também Jonathan Tah, do FC Bayern.
De acordo com uma estimativa da FIFPRO, Jonathan Tah poderá ter disputado o seu 76.º jogo da temporada no final do Mundial – desde que a seleção alemã chegue à final. Em cerca de metade desses jogos, o jogador de 30 anos vestiu a camisola do Bayern a nível nacional. A isto juntam-se as participações internacionais com o clube, bem como os jogos amigáveis do clube alemão mais titulado e, por fim, os jogos internacionais pela seleção alemã.
De acordo com a previsão da FIFPRO, apenas os jogadores do Arsenal David Raya e Martin Zubimendi, com até 83 jogos, bem como Viktor Gyökeres e Declan Rice, com 79 jogos, terão disputado mais jogos num ano. No caso de Virgil van Dijk, do FC Liverpool, podem chegar aos 75 jogos.
“Fadiga cumulativa”
A responsável por isso é a alteração do calendário. «Antigamente, era raro um jogador ter disputado 73 ou mesmo mais de 75 jogos no final da época. Mas, desde a aprovação das reformas, isso tornou-se a norma», criticou o diretor da FIFPRO, Alexander Bielefeld. Daí surge um fenómeno «a que chamamos fadiga cumulativa».
Apesar de todos os avisos das organizações de jogadores, as federações continuaram a alargar o calendário de jogos nos últimos anos. «Não se pode entrar numa competição quando já se disputaram 60 ou quase 60 jogos», critica Maheta Molango, CEO do sindicato inglês de jogadores. O desempenho seria prejudicado e a propensão a lesões aumentaria.
Foden, uma «vítima do calendário de jogos»?
Molango atribui ao «calendário de jogos louco» a responsabilidade pelo facto de jogadores como Phil Foden, do Manchester City, não atingirem o seu nível de desempenho original e, por isso, não terem sido convocados para o Mundial. O jogador de 25 anos tornou-se «uma vítima do calendário de jogos». «O número de jogos em que ele esteve disponível diminuiu. E quando jogou, não foi o Phil Foden que vimos há dois anos», afirma Molango.
Para os jogadores e os seus equipas médicas, que estarão no local durante o Mundial, o calor e, em alguns locais, a altitude, tornar-se-ão um problema adicional. «O cansaço far-se-á sentir mais do que em qualquer outro Mundial da história», adverte Darren Burgess, diretor de desempenho da Juventus de Turim.
Noutros desportos, os períodos de descanso para os jogadores são consideravelmente mais longos. «Não tenho a impressão de que a NFL ou a NBA sejam particularmente generosas ou queiram distribuir esmolas. Fazem-no para garantir que os jogadores estejam disponíveis na sua melhor forma», salienta Bielefeld.
A FIFPRO tem vindo a envidar esforços há anos, em conversações com a FIFA, a UEFA ou as federações nacionais, para limitar o número de jogos — até agora em vão.






