sábado, março 7, 2026
spot_img
HomeMotorsportsUma condução totalmente nova: o que os engenheiros da Fórmula 1 exigem...

Uma condução totalmente nova: o que os engenheiros da Fórmula 1 exigem de repente

O novo regulamento da Fórmula 1 traz uma gestão de energia complexa e muito mais comunicação via rádio entre engenheiros e pilotos durante as corridas

Com a grande mudança no regulamento em 2026, não só a tecnologia dos carros de Fórmula 1 muda, como também o trabalho dos pilotos se torna mais complexo. A gestão de energia, em particular, passa a ter um papel mais central. Isso também aumenta significativamente a comunicação via rádio entre o piloto e o engenheiro de corrida.

Vários representantes das equipas apontam isso após os primeiros testes. Acima de tudo, a proporção significativamente maior de energia elétrica nos novos motores apresenta novos desafios para as equipas e os pilotos.

50% de energia elétrica: nova complexidade no cockpit

Peter Bayer, CEO da Racing Bulls, explica a complexidade da nova geração de carros de Fórmula 1: «A importância da parte elétrica que agora está presente no motor — 50% é energia elétrica», afirma ele à Sky. É exatamente isso que cria uma complexidade totalmente nova para os pilotos e as equipas.

«Para o piloto, o mais importante é a energia: quando deve carregar, como deve carregar e quando deve utilizar essa energia?»

Especialmente na fase inicial, podem surgir problemas. Durante um teste, ocorreu um problema de software que inicialmente causou dificuldades. A solução acabou por ser relativamente simples: «Basicamente, como acontece frequentemente com estes dispositivos: desligar, ligar, reprogramar — e volta a funcionar.»

Mais comunicações via rádio durante as voltas

A gestão de energia mais complexa também faz com que os pilotos precisem de mais apoio dos seus engenheiros. Especialmente no início dos testes, as comunicações via rádio foram significativamente mais intensas.

«No início, havia muita comunicação com os pilotos», explica Bayer. Só com o aumento da experiência é que as coisas ficaram mais calmas. «O piloto começa a perceber onde pode obter melhor desempenho.»

Isso também altera os padrões clássicos de condução. Até mesmo os pontos de travagem e aceleração podem mudar. «Os pontos de travagem são, em parte, diferentes», diz Bayer. «Para os pilotos que conhecem as pistas do ano passado, muitos dos padrões de comportamento mudam.»

Além disso, há outro desafio: após uma volta rápida, o piloto precisa, em alguns casos, voltar a acelerar imediatamente para iniciar o processo de carregamento da bateria. «É mais complexo», admite Bayer, mas acrescenta: «Tenho a sensação de que está a funcionar e a ganhar impulso.»

Simulador torna-se fundamental na preparação

Devido a essa nova complexidade, a preparação no simulador também ganha ainda mais importância. «Tentamos passar ainda mais tempo no simulador, porque é realmente sobre esses processos», explica Bayer. Os pilotos e engenheiros precisam aprender a coordenar perfeitamente os fluxos de energia e os processos no carro.

A tecnologia dos simuladores também está em constante evolução. «Os modelos estão a melhorar a cada ano», diz Bayer. Atualmente, até a inteligência artificial ajuda a melhorar ainda mais as simulações. O embaixador da Ferrari, Marc Gene, também confirma que o trabalho no simulador está a se tornar cada vez mais importante. Em conversas com os pilotos, um tema em particular se destacou: energia.
«A maior diferença é que há muito feedback dos engenheiros para os pilotos sobre como podem utilizar melhor a energia», explica Gene. Às vezes, o engenheiro dá até instruções muito concretas: «Por exemplo, como deve arrancar, onde pode acelerar a fundo ou como deve fazer uma determinada curva.»

Isso pode parecer estranho para o piloto. «Às vezes, o piloto até pergunta: “Por que quer que eu faça isso?” Por isso, alguns comportamentos de condução nem sempre parecem naturais.»

O trabalho estratégico é mais importante do que o desenvolvimento do veículo

A preparação no simulador também mudou por causa disso. Antes, o foco era frequentemente o desenvolvimento do veículo; hoje, é mais sobre estratégia e processos.

«Hoje, os simuladores não servem tanto para o desenvolvimento do carro, mas para o desenvolvimento da estratégia», explica Gene. Isso pode ser decisivo, especialmente em fins de semana de corrida com horários apertados.

É por isso que os pilotos passam agora muito mais tempo no simulador do que antigamente. Enquanto antes era habitual ter um dia de preparação por corrida, agora esse tempo aumentou significativamente. «Lembro-me de ver frequentemente o Charles e o Lewis em Maranello», diz Gene. «Muito mais do que no ano passado no simulador.»

RELATED ARTICLES

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Most Popular

Recent Comments