Laurent Mekies fala sobre os seus primeiros meses como chefe de equipa da Red Bull: por que não mudou tudo radicalmente depois de Christian Horner
Há sete meses, a demissão do chefe de equipa da Red Bull, Christian Horner, no dia seguinte ao Grande Prémio da Grã-Bretanha, em julho, foi uma surpresa para muitos — principalmente para o seu sucessor, Laurent Mekies. Até então, o francês de 48 anos dirigia com satisfação a equipa irmã Racing Bulls, onde formou uma forte parceria com o diretor executivo Peter Bayer.
Mas quando a Red Bull Áustria o convidou para dirigir uma das duas equipas de Fórmula 1 mais bem-sucedidas das últimas duas décadas, foi simplesmente uma oferta que não se podia recusar.
Assumir a liderança de uma equipa de 2.000 pessoas, que inclui os departamentos de chassis e motores, no meio da temporada, não é uma tarefa fácil, mesmo nos melhores momentos. Mas dar continuidade ao enorme legado de Horner é outra história — e Mekies aceitou o desafio com paciência e humildade.
«Nos primeiros dias, repetia a mim mesmo: dá tempo ao tempo antes de formar uma opinião», conta Mekies à Motorsport.com Itália durante os testes de pré-temporada no Bahrein. «Não só sobre as pessoas, mas também sobre a forma como as coisas são feitas aqui. Sabia que a imagem ficaria mais clara após alguns meses, e foi exatamente isso que aconteceu.»
Mekies não veio para mudar o ADN
«A cada dia que passa, sentes-te um pouco mais no controlo, simplesmente porque conheces melhor as pessoas e compreendes um pouco mais a dinâmica. Como disse, estabeleci como objetivo compreender a realidade da Red Bull sem a ver através do filtro das minhas experiências passadas e tentei abrir a minha perspetiva o máximo possível», afirma.
O seu veredicto: «A equipa foi fantástica. Todos eles passaram por uma mudança histórica e, mesmo assim, fui recebido de uma forma incrível.»
«Após alguns meses, percebi que o meu trabalho não era, certamente, alterar os alicerces da equipa, mas sim proteger o seu ADN competitivo: aqui, tudo é feito para tornar o carro mais rápido. O resto pouco importa.»
Por falar em experiência: Mekies tem um currículo impressionante, que inclui passagens pela Minardi, Toro Rosso, FIA e Ferrari, antes de regressar a Faenza.
Equipa lutou pelo campeonato de 2025
O que ele encontrou em Milton Keynes foi uma equipa que, vista de fora, parecia estar em estado de choque — lutava para controlar os seus problemas de desempenho, enquanto especulações sobre a sua estrela Max Verstappen e o seu futuro na equipa circulavam.
Com a iminente mudança no regulamento para 2026, incluindo o desafio que Mekies descreveu anteriormente como «louco» de a Red Bull produzir as suas próprias unidades de potência, deve ter sido grande a tentação de descartar 2025 e concentrar-se totalmente na nova era.
«Teria sido fácil dizer: vamos concentrar-nos em 2026», concorda Mekies. «Todas as condições estavam reunidas para virar a página e começar do zero. Um novo regulamento, o primeiro motor interno, um novo chefe de equipa e outras mudanças na liderança.»






