Kevin Schwantz vê muitas semelhanças entre a carreira de Marc Márquez e a sua própria carreira — O que, na sua opinião, une estes dois pilotos excecionais
Kevin Schwantz, campeão mundial de 500 cc em 1993, vê paralelos claros entre a sua própria carreira e a trajetória da estrela do MotoGP Marc Márquez. «Sim, reconheço-me nele», afirma o norte-americano em entrevista ao GPOne.com.
«Quando ele deixou a [Honda], todos perceberam o quão mal a marca estava e o quanto ele compensava tudo isso com o seu talento. Com a Suzuki, foi semelhante para mim: alguns pilotos eram competitivos, mas ninguém conseguia vencer imediatamente.»
Ambos os pilotos conquistaram a reputação de tirar mais proveito das suas motos do que a tecnologia realmente permitia. Schwantz tornou-se uma lenda na Suzuki de 500 cc, embora esta não fosse sempre a moto mais potente do pelotão.
Schwantz: Tudo o resto seria aborrecido
O mesmo aconteceu durante muito tempo com Márquez, que durante anos foi o único piloto capaz de levar a difícil Honda na MotoGP ao seu limite e além.
Olhando para a sua própria carreira, Schwantz deixa claro que uma desvantagem técnica não tem de ser necessariamente negativa — pelo contrário. «Conduzir a moto mais rápida teria sido aborrecido!», afirma. «Gostava de ter de pensar numa estratégia e encontrar pontos para ultrapassar.»
«A minha Suzuki nem sempre foi a mais rápida, mas era competitiva. Em 1989, era forte, mas vulnerável. Em 1993, tudo se encaixou: fiabilidade, consistência, desempenho. Não era preciso atingir velocidades máximas, mas sim inteligência e coragem.»
Marquez não teve medo de recomeçar
Outro ponto em comum: lesões. O mais recente título mundial de Marquez, que ele conquistou cinco corridas antes do final da temporada no Japão, é considerado um triunfo desportivo após grandes contratempos. Durante quatro anos, o espanhol lutou contra as consequências da sua queda em Jerez em 2020 e também com a Honda.
Para a temporada de 2024, ele finalmente tirou as conclusões e mudou de fabricante. A mudança para a Ducati revelou-se acertada e resultou no seu primeiro título mundial desde 2019. A despedida do fabricante com o qual se cresceu é tudo menos fácil, explica Schwantz.
«É difícil deixar a equipa com a qual se começou. Nunca fiz isso, mas compreendo a sua decisão. Depois de tudo o que aconteceu com a lesão, teria sido fácil desistir. Em vez disso, ele continuou, e isso diz tudo sobre o seu caráter», salienta.
Aqui também ele vê uma semelhança: «Empurrar com força está no nosso ADN: às vezes funciona, outras vezes é precisamente por isso que se cai. Mas é assim que somos.»
Alex Márquez como importante apoio para Marc
Schwantz atribui um papel importante no regresso de Márquez ao topo ao seu irmão mais novo, Alex Márquez. Na primeira temporada de Marc na Ducati, os dois correram juntos pela Gresini, antes do mais velho dos irmãos mudar para a equipa de fábrica. «Acho que o seu irmão Alex o ajudou muito e foi um importante ponto de referência durante a reabilitação. Agora, ele próprio provou o seu valor e fez esta temporada parecer quase “fácil”», resume Schwantz.
Em termos desportivos, o ano foi quase perfeito para a família Márquez: Marc e Alex ficaram em primeiro e segundo lugar no Campeonato do Mundo. Por outro lado, as coisas não correram tão bem para Francesco Bagnaia, companheiro de equipa de Marc na equipa de fábrica da Ducati, que, apesar de algumas vitórias isoladas, ficou na maioria das vezes à sombra da nova estrela.
Schwantz também tem dificuldade em explicar isso claramente: «Bagnaia teve uma temporada difícil, mesmo tendo vencido corridas. Hoje em dia, é difícil entender isso de fora, com toda a eletrónica, os pneus e a aerodinâmica. Se conduzires muito devagar, os pneus arrefecem e tu caís. É um mundo diferente.»
No entanto, a fascinação pela velocidade continua a acompanhá-lo, assim como as memórias da sensação de correr. «Ainda adoro essa sensação de pressionar, como quando se está em Misano com a GSX-8 a toda a velocidade e se sente o coração a bater como antigamente», diz Schwantz.
«Correr era uma necessidade — o desejo de lutar. Ganhar era ótimo, mas o melhor era voltar aos boxes e ver a alegria da equipa. Eu gostava de ganhar por eles. Todo o risco valia a pena por essa felicidade compartilhada.»






