Sonny Liston sagrou-se campeão mundial em 1962 com uma vitória histórica e foi, por sua vez, derrotado pelo jovem Muhammad Ali. Há 55 anos, a notícia da sua morte prematura chocou o mundo.
Quase toda a gente conhece a sua foto mais famosa, mesmo que ele não seja a figura principal nela.
Foi em 25 de maio de 1965 que Muhammad Ali surpreendeu o ex-campeão mundial Charles «Sonny» Liston com o lendário «Phantom Punch» após 105 segundos e o mandou para o chão.
A foto de Ali gritando para Liston, que estava no chão, com as palavras «Get up, you bum!» («Levante-se, seu vagabundo!») é a imagem icónica de Ali por excelência, uma das fotos mais famosas da história do desporto.
Enquanto Ali consolidava o seu mito imortal com as duas vitórias contra o «Black Bear», Liston iniciava uma queda pessoal. Em 5 de janeiro de 1971, a notícia da sua morte prematura abalou o mundo do desporto.
Tal como o seu futuro rival Ali, Liston cresceu em condições de pobreza e racismo:
Nascido por volta de 1930, o décimo segundo de 13 filhos de um agricultor de algodão no Arkansas (a data exata do seu nascimento é desconhecida), a sua infância foi marcada por um pai violento, trabalho infantil forçado e educação precária — Liston nunca aprendeu a ler e escrever até ao fim da sua vida.
De criminoso a campeão mundial de boxe
Após a morte do pai, a mãe mudou-se para St. Louis, onde Liston se tornou criminoso: cometeu vários assaltos e roubos, sendo condenado a cinco anos de prisão.
Na prisão, revelou-se o seu talento para o boxe, o que lhe abriu caminho para uma libertação antecipada e para a conquista do título mundial dos pesos pesados.
Liston continuou ligado ao submundo — o seu empresário, Frankie Carbo, era um conhecido mafioso — e uma agressão a um guarda de trânsito levou-o novamente à prisão.
No entanto, no desporto, o «Black Bear» revelou-se um fenómeno que alcançou feitos sem precedentes: em 25 de setembro de 1962, Liston conquistou o título mundial com um nocaute no primeiro assalto contra Floyd Patterson. Liston também venceu a revanche antes do primeiro gongo. Nunca antes um campeão dos pesos pesados tinha sido derrotado dessa forma.
Liston vs. Patterson: uma rivalidade acirrada
Mesmo antes da rivalidade com Ali, a carreira de Liston já era politicamente acirrada: devido ao seu histórico criminal e à sua personalidade considerada antipática por muitos, ele era amplamente odiado, especialmente em contraste com Patterson, considerado um cavalheiro.
Os duelos entre Patterson e Liston foram contados por muitos como uma história do bem contra o mal, em que o racismo da sociedade branca majoritária desempenhou um papel fundamental.
O famoso autor Norman Mailer viu muita hipocrisia no desprezo por Liston: Ele criticou a «virtuosidade mesquinha» de Patterson e, em vez disso, romantizou Liston como «herói de todos aqueles que desafiavam o destino, desde que se divertissem; os fumadores de cigarros, os bêbados, os drogados, os traficantes, os viciados, as vadias, os gays, os facinorosos, os pistoleiros».
O grande romancista afro-americano James Baldwin também interpretou a oposição entre os rivais do boxe como uma metáfora para a questão de «qual atitude é mais eficaz no nosso terrível dilema americano: a amabilidade disciplinada de Patterson ou a franqueza implacável de Liston». Devido à sua vida manchada, Liston nunca foi um herói popular, nem mesmo na comunidade afro-americana.
Liston ridicularizado e insultado antes das lutas
O reinado de Liston durou menos do que o esperado, pois logo após a derrota de Patterson, o jovem Cassius Clay ergueu a cabeça e chocou o mundo com sua vitória sensacional sobre Liston.
O jovem Clay, de 22 anos, já tinha causado agitação antes do primeiro combate, em 25 de fevereiro de 1964, ao ridicularizar e insultar Liston durante semanas. Clay aparece na pesagem com um casaco com a inscrição «Caça ao urso».
Quando soou o gongo, Clay dominou de forma provocadora, mantendo sempre a sua guarda baixa, dançando e contra-atacando repetidamente o pesado Liston, até que este desistiu, exausto, após o sexto assalto. Mais tarde, soube-se que Liston se tinha preparado mal, treinado pouco e se tinha envolvido em escapadelas com prostitutas.
Após perder a revanche contra o campeão, que Clay renomeou como Ali, Liston nunca mais teve uma oportunidade de disputar o título mundial. Liston, que já era malquisto, ficou ainda mais marginalizado, também porque surgiram rumores de manipulação — provavelmente infundados — em torno da segunda luta contra Ali.
A morte de Liston: horrível e ainda hoje não totalmente esclarecida
Em 29 de junho de 1970, Liston disputou e venceu a sua última luta contra Chuck Wepner. Cerca de seis meses depois, em 5 de janeiro de 1971, o ex-campeão mundial foi encontrado morto no seu apartamento em Las Vegas.
A esposa de Liston, Geraldine, voltou para casa após duas semanas de férias e encontrou uma cena horrível: Liston já estava morto há vários dias e em estado de decomposição.
Poucas semanas antes de sua morte, Liston estava no hospital devido a problemas cardíacos e, além disso, era viciado em drogas. Uma investigação policial concluiu que Liston provavelmente morreu de overdose de heroína em 30 de dezembro de 1970, há 55 anos.
No entanto, as circunstâncias exatas da morte não puderam ser totalmente esclarecidas, e surgiram teorias da conspiração sobre um assassinato da máfia, mas elas nunca foram confirmadas. Sonny Liston — inscrição na lápide: «A Man» — descansa num cemitério em Las Vegas.






