Julien Ingrassia descreve os segundos dramáticos após o grave acidente com Sébastien Ogier, que perdeu brevemente a consciência após a colisão
Bem abalados, mas ilesos: Sébastien Ogier e Julien Ingrassia escaparam por pouco a uma catástrofe no Rali da Finlândia, a décima prova do Campeonato do Mundo de Ralis (WRC) de 2026, no passado sábado.
Na 17.ª prova especial, a dupla saiu da estrada a alta velocidade e entrou na floresta, onde o Toyota GR Yaris capotou várias vezes. Especialmente para Ogier, as consequências do acidente violento foram mais dramáticas do que Ingrassia imaginou no primeiro momento.
«Vi o Seb a sair do carro e verifiquei que não estava ferido, por isso segui o protocolo», relatou ele ao jornal francês L’Equipe. «Carreguei no botão “OK” no carro, que sinaliza aos responsáveis que não precisamos de assistência de emergência, para que a prova especial pudesse continuar. Mas, assim que o fiz, vi o Seb deitar-se na relva e perder a consciência.»
Momentos dramáticos: «Não havia som nem imagem»
A partir desse momento, o acidente assumiu uma dimensão completamente nova para Ingrassia, que na Finlândia tinha voltado a competir ao lado de Ogier pela primeira vez desde 2021. «Ativei imediatamente o botão de emergência e corri até ao Seb. Os seus olhos já não piscavam — não havia som nem imagem», relata ele.
O terrível acidente de Ogier/Ingrassia! circuitomotor R800AM pic.twitter.com/eknbmRuTDA
— carlos zayas (@carloszayasf) 1 de agosto de 2026
Com a ajuda de alguns espectadores, Ingrassia estabilizou a cabeça do seu piloto, enquanto ele próprio fazia vento a Ogier com o bloco de notas. «Foi um momento preocupante», recorda Ingrassia.
«Nunca tinha lidado com nada assim na minha vida, mas sabia que era importante manter a calma. Depois de dar o alarme, liguei à equipa para lhes dar uma avaliação médica da situação», afirma o francês. «Além disso, desliguei o carro, pois havia risco de incêndio. Aos poucos, com as pessoas a falarem com ele e todos à sua volta, o Seb voltou a recuperar a consciência. Nesse momento, chegaram também as equipas de socorro.»
A marca na pista foi provavelmente o que provocou o acidente
Estas equipas transportaram Ogier num helicóptero de resgate para um hospital, onde não foram detetadas lesões. Ogier permaneceu na clínica durante a noite para observação. Ingrassia também teve de passar a noite no hospital. No final, ambos puderam dar o sinal de que estavam bem.
Ingrassia, que não competia no Campeonato do Mundo há cinco anos, admitiu que «o impacto foi violento», depois de terem entrado na curva a «cerca de 140 km/h». Pelo que se sabe até ao momento, nem uma avaria técnica nem um erro de condução foram a causa do espetacular acidente.
«Na curva tinha-se formado um sulco na pista que catapultou o carro para a esquerda, em vez de o deixar virar para a direita. É por isso que as imagens da câmara de bordo parecem tão estranhas», relata Ingrassia.
Por fim, agradece à Federação Internacional do Automóvel (FIA) e ao fabricante Toyota pela elevada segurança dos carros Rally1, que o protegeram a ele e a Ogier de consequências mais graves. «A mais recente geração de veículos é incrivelmente estável, e isso ajudou-nos imenso», afirma Ingrassia.






