O Paris St. Germain é campeão de França pela quinta vez consecutiva. No entanto, tendo em conta o desempenho na Liga dos Campeões, a conquista do título foi relativamente pouco convincente. E há razões para isso.
Quem viu o Paris St. Germain na meia-final da Liga dos Campeões contra o FC Bayern deve achar quase engraçado que tenha demorado tanto tempo. Enquanto nos outros principais campeonatos europeus, com exceção da Premier League, o campeão já está definido, em França só se chegou à certeza matemática na quarta-feira à noite, com a vitória por 2-0 no jogo em atraso contra o primeiro perseguidor, o RC Lens: o PSG é campeão francês a uma jornada do fim da temporada – pela quinta vez consecutiva.
Esta é agora a série de títulos mais longa do clube desde que o PSG foi adquirido pelo grupo de investimento catariano QSI em 2011 — e a segunda mais longa na história da Ligue 1. Para igualar a série recorde do Olympique Lyon, que triunfou sete vezes consecutivas entre 2002 e 2008, faltam ao PSG ainda dois campeonatos.
Já no fim de semana passado, o PSG tinha praticamente garantido o título com uma vitória por 1-0 sobre o Brest. Antes do confronto direto em Lens, que tinha sido adiado para mais tarde devido aos protestos dos norte-franceses, a vantagem era de seis pontos, e o PSG contava com um saldo de golos significativamente melhor. Não se verificou, assim, um verdadeiro confronto decisivo pelo título na quarta-feira à noite. Afinal, foi também graças ao Lens que a Ligue 1 teve, nesta época, algo que se assemelhasse a uma corrida pelo título.
Tendo em conta o desempenho na Liga dos Campeões, onde o PSG pode tornar-se a segunda equipa da história da competição a defender o título, isto é bastante surpreendente — sobretudo porque os adversários nacionais mais ambiciosos, de Marselha e do Mónaco, ficaram ambos muito aquém das suas próprias expectativas e, consequentemente, também do PSG. O Lens, por sua vez, teve um outono e um inverno excecionais, conquistando onze vitórias em doze jogos, travando durante meses uma corrida renhida com o grande favorito e chegando mesmo a terminar a primeira metade da temporada na liderança da tabela.
Uma época como a ressaca depois da festa
Mas isso também teve a ver com o facto de o PSG, após conquistar pela primeira vez a Liga dos Campeões, ter sofrido claramente de ressaca. Devido ao Mundial de Clubes que se seguiu, no qual os parisienses também chegaram à final, passaram-se apenas quatro semanas entre a final perdida contra o Chelsea e o primeiro jogo oficial da nova época. Pouco tempo de preparação, mas sobretudo pouco tempo de recuperação para o elenco de estrelas, que em setembro e outubro demonstrava uma falta de frescura mental. O PSG passou por um outono difícil, conseguindo apenas duas vitórias em seis jogos.
A isto juntaram-se lesões de jogadores-chave como Ousmane Dembelé, Desiré Doué ou Achraf Hakimi, que no final de 2025 ficaram todos afastados dos relvados por um período prolongado. O guarda-redes Lucas Chevalier, que chegou de Lille para substituir Gianluigi Donnarumma, não lidou bem com a pressão de um grande clube, vacilou várias vezes na liga e acabou por ficar definitivamente no banco após uma lesão.
Só no ano novo é que a máquina voltou a funcionar sem problemas. É verdade que o Lens voltou a conquistar brevemente a liderança da tabela em meados de fevereiro, mas depois disso a corajosa equipa da pequena cidade do norte já não foi à altura do clube mundial da capital, deixando escapar demasiados pontos para incomodar o PSG. O facto de o campeonato em França ter sido decidido mais tarde este ano do que na Alemanha, Itália e Espanha deve, mesmo assim, ser um grande sucesso para o Lens — e, no fim de contas, não importa ao PSG. Desde que vençam aquele único jogo em Budapeste, a 30 de maio.

