O campeonato escocês vai ter uma final espetacular: o Celtic de Glasgow recebe o surpreendente líder, o Heart of Midlothian, para um confronto direto, estando a um ponto do primeiro classificado. Para chegar a esta situação, o Celtic precisou, no entanto, de um penálti tardio e controverso contra o FC Motherwell.
No domingo passado, o Celtic de Glasgow voltou a colocar-se numa posição promissora graças a uma brilhante vitória por 3-1 no Old Firm contra o arquirrival Glasgow Rangers. A apenas um ponto do líder Heart of Midlothian, os Bhoys in Green voltam a acreditar no título de campeão. Sobretudo porque na última jornada está agendado o confronto direto contra o Hearts – no «Paraíso» caseiro do Celtic Park. Uma vitória permitiria ultrapassar o líder da tabela e impediria – tal como em 1986 – a surpresa do Hearts no último momento.
Antes disso, porém, era preciso superar o obstáculo do FC Motherwell – afinal, quarto classificado da fase final do campeonato escocês. Se o Celtic tinha entrado no confronto confiante, aos 90 minutos a situação já não parecia nada boa. É verdade que Maeda (41′) e Nygren (58′) tinham virado o jogo à hora de jogo, depois de o Motherwell ter marcado cedo através de Watt (17′). Mas aos 85 minutos, Gordon empatou para os anfitriões, fazendo o 2-2 e colocando o Celtic em apuros.
Hearts apenas nervosos no início
No jogo paralelo, o Hearts teve tudo sob controlo contra o recém-promovido FC Falkirk, que, em sexto lugar na fase principal, conseguiu de forma sensacional chegar à fase final do campeonato. Graças aos golos de Kent, Devlin e Spittal, o clube de Edimburgo venceu o jogo em casa por 3-0, de forma soberana, após um início nervoso, e manteve-se invicto no Tynecastle Park, o seu estádio, pelo 19.º jogo da liga na presente temporada.
Para o Celtic, isso significava que, caso o empate se mantivesse em Motherwell, na última jornada teria de vencer por uma margem de pelo menos três golos no confronto direto com o Hearts para se sagrar campeão — no caso extremo —, mesmo com a mesma diferença de golos, graças ao maior número de golos marcados. Uma tarefa arriscada contra a melhor defesa da fase principal, liderada pelo guarda-redes alemão Schwolow.
«Repugnante» ou «bastante claro»?
Assim, o Celtic pressionou até ao último segundo pelo golo da vitória — e de repente viu-lhe ser concedido um penálti que suscitou grande controvérsia. Num lançamento de lateral, o defesa do Motherwell, Nicholson, entrou em disputa aérea com Iheanacho na sua própria área. Na confusão, o jogador de 31 anos levou com o próprio pulso na cara e teve azar de a bola ter saltado exatamente para a mão, que estava encostada à cabeça. O VAR chamou o árbitro ao ecrã, que de facto apontou para a marca de penálti – aos oito minutos do tempo de compensação, que na verdade estava previsto para ser de cinco minutos.
Apesar de toda a agitação em torno do penálti — o treinador do Hearts, Derek McInnes, disse após o apito final dos jogos paralelos na Sky: «Vi o penálti e acho-o repugnante» —, Iheanacho manteve a calma na marca de penálti e converteu para o canto inferior esquerdo, marcando o golo da vitória para os Bhoys de Verde. Para o seu treinador do Celtic, Martin O’Neill, a decisão a favor do penálti já tinha parecido «bastante clara».
«Drama perfeito»: Final no «Paraíso»
Assim, a Scottish Premiership tem pela frente uma final emocionante no próximo sábado (13h30). No Celtic Park, o Heart of Midlothian terá de defender a sua escassa vantagem de um ponto contra um Celtic que recuperou a forma mesmo a tempo. Em caso de empate ou vitória do Hearts, o campeão escocês não sairá de Glasgow pela primeira vez desde 1985 — na altura, o FC Aberdeen sob o comando de Sir Alex Ferguson. Se o Celtic vencer, os verde-brancos tornar-se-ão os únicos detentores do recorde de títulos, com 56, à frente dos odiados Rangers.
«Estamos preparados para tudo e voltaremos a entrar em campo no sábado», afirmou o treinador do Hearts, McInnes, sublinhando que a sua equipa não jogará pelo empate no Celtic Park. «É perfeito para o drama que esperam de nós. Estamos simplesmente muito felizes por estar aqui. Agora temos de conquistar o título a todo o custo.» O seu homólogo O’Neill, por sua vez, mostrou-se mais cauteloso: «Temos, pelo menos, uma oportunidade. Chegámos à última jornada da época — e isso parecia impossível há cinco ou seis semanas.»

