Flavio Briatore revela como pretendia levar a Fórmula 1 para Nova Iorque na década de 2010, em colaboração com o atual presidente dos EUA, Donald Trump
Não é segredo que a Fórmula 1 já tentava, ainda sob a liderança de Bernie Ecclestone, estabelecer-se nos EUA. Muito antes de a Liberty Media levar a Fórmula 1 para Miami e Las Vegas, Ecclestone tentou, entre outras coisas, levar a Fórmula 1 para Nova Iorque — com a ajuda de uma figura proeminente.
Mais de uma década depois, Flavio Briatore revelou ao The Race como, na altura, tentou convencer o atual presidente dos EUA, Donald Trump, a apoiar o então chefe da Fórmula 1, Ecclestone, num Grande Prémio em Nova Iorque.
Segundo Briatore, Trump «não fazia a mínima ideia do que era a Fórmula 1». «Mas é um excelente promotor. Naquela altura, organizava combates de boxe, organizava todo o tipo de eventos em Las Vegas e assim por diante», explica o homem de 76 anos.
«E eu convenci o Donald a falar com o Bernie», revela ele, recordando: «Eu estava no escritório do Donald. Fizemos uma videochamada com o Bernie para descobrir qual seria o melhor local em Nova Iorque para a corrida.»
«O Donald disse-nos que Nova Iorque era muito complicada por um milhão de razões, mas que Nova Jérsia seria o local certo», afirma Briatore. Ecclestone terá então negociado «com duas ou três pessoas diferentes», mas, no final, o plano nunca chegou a ser concretizado, «porque o tipo que queria construir o circuito faliu.»
O que liga Briatore e Trump?
Mas como é que surgiu, afinal, o contacto entre Trump e Briatore? Já há anos, o próprio Briatore revelou no podcast «Beyond the Grid» que tinha conhecido Trump pela primeira vez no início da década de 1990 — e que até quase tinha trabalhado para ele.
Em meados da década de 2010, os caminhos dos dois voltaram a cruzar-se, porque Briatore assumiu o papel principal na versão italiana do reality show «The Apprentice», enquanto Trump desempenhava o mesmo papel na versão original americana.
«The Apprentice» chegou a ter apenas duas temporadas em Itália, em 2012 e 2014, e foi durante esse período que, segundo Briatore, ocorreu o referido encontro com Trump e Ecclestone. Briatore tinha sido obrigado a abandonar a Fórmula 1 em 2009, na sequência do escândalo «Crashgate».
Em 2024, regressou à categoria rainha como consultor da Alpine, mas nunca chegou a realizar-se um Grande Prémio em Nova Iorque ou em Nova Jérsia. «Antes da chegada da Liberty, a Fórmula 1 não era, na verdade, considerada algo de especial nos Estados Unidos», explica Briatore.
«Falava-se da NASCAR, da Indy[Car], de modelos de negócio completamente diferentes. E a Fórmula 1 nem sequer era [mencionada]. Quando a Liberty entrou em cena, tudo mudou», afirma Briatore.
Mais tarde, Donald Trump teve apenas um pequeno contacto com a Fórmula 1. No Grande Prémio de Miami de 2024, esteve no circuito como convidado da McLaren.

