Foi o trágico desfecho de um jogo alucinante: aos 13 minutos do prolongamento, a Croácia comemorava o empate, antes de o chip na bola revelar uma situação de fora de jogo. Assim, os croatas lamentaram a eliminação do Mundial frente a Portugal.
«Não merecíamos a eliminação, estávamos ao nível de Portugal», lamentou o treinador da Croácia, Zlatko Dalic. Também Martin Baturina afirmou: «Fomos eliminados injustamente, eles simplesmente tiveram sorte. Não merecíamos que acabasse assim.» Os croatas tinham acabado de travar uma batalha épica e cheia de suspense contra Portugal. Com um desfecho menos favorável para os croatas, os vice-campeões do mundo de 2018 e terceiros classificados no Mundial de 2022 têm de fazer as malas logo após os oitavos-de-final.
Após uma primeira parte apática, os Vatreni ganharam ímpeto e passaram para a frente do marcador através de Ivan Perisic — que, com o seu sétimo golo no Mundial, ultrapassou Davor Suker e é agora o único detentor do recorde de golos do seu país num Mundial. Seguiram-se vários momentos dramáticos e, como observou Josip Stanisic, do Bayern: «A sorte hoje não esteve do nosso lado.»
Um penálti controverso que resultou no empate, bem como dois golos anulados devido a posições de fora de jogo indiscutíveis, já deixaram os croatas a lamentar-se. Stanisic comentou depois: «O árbitro também poderia ter tomado alguma decisão a nosso favor; em jogos renhidos, isso pode fazer a diferença.»
Chip na bola e sem «Deliberate play»
Mas a situação iria tornar-se ainda mais dramática: um golo tardio do suplente português Gonçalo Ramos foi, mais tarde ainda, no 13.º minuto do tempo de compensação (!), efetivamente empatado pela Croácia. Pelo menos, supostamente: enquanto os croatas se lançavam em júbilo sobre o marcador, Josko Gvardiol, o VAR interveio. Mario Pasalic tinha feito a jogada partindo de uma posição suspeita de fora de jogo — a questão era apenas: de quem veio o penúltimo passe?
Igor Matanovic tinha tentado, pouco antes, prolongar um cruzamento para Pasalic. O próprio avançado do Friburgo não sabia se tinha conseguido: «Senti um ligeiro toque no meu cabelo. Mas não tinha a certeza se tinha tocado na bola.»
A resposta veio do chip incorporado na bola, que regista quando e com que intensidade a bola é tocada. Quando o árbitro viu a jogada no ecrã, um pequeno pico na curva de impulsos revelou o toque de Matanovic. «Perguntei ao árbitro o que tinha visto. Ele não disse nada, mas o sensor na bola indicou-lhe que o Matanovic tinha tocado na bola», contou mais tarde Baturina. Então, uma posição de fora de jogo clara?
De qualquer forma, o Matanovic tinha desviado a bola de forma quase imperceptível, precisamente para o defesa português Renato Veiga. Este, por sua vez, passou a bola com a nuca para o autor da assistência, Pasalic. Mas terá sido um «Deliberate Play», um toque deliberado na bola que anula o fora de jogo? O árbitro norueguês não o considerou como tal. Na verdade, a bola tinha caído na cabeça do defesa, completamente surpreendido, a curta distância; não se podia falar de intencionalidade.
Martinez elogia a ajuda da tecnologia
Assim, o golo tão comemorado foi anulado. Em vez da prorrogação, houve a dramática eliminação do Mundial, que levou a Croácia a questionar o destino — e o VAR. «Isso mata as emoções, não é fácil lidar com isso. O futebol deve ser justo, mas com o VAR fomos longe demais», queixou-se Dalic na conferência de imprensa.
O seu homólogo, Roberto Martinez, defendeu a posição contrária: «O chip provou que Matanovic foi o primeiro a tocar na bola e, por isso, foi fora de jogo. Este é um dos exemplos que mostra como a tecnologia ajuda o desporto. Não foi uma decisão errada!»

