Em Itália, o novo diretor técnico, Paolo Maldini, pensa em grande — e em Pep Guardiola como treinador da seleção nacional. Será que vai dar certo? Afinal, depois da sua passagem pelo Manchester City, ele pretende fazer uma pausa. E esse não é o único obstáculo.
Nomes e nostalgia nem sempre são relevantes. Isto aplica-se sobretudo nas fases em que se vive no condicional — tal como a Itália há doze anos, desde a última vez que participou na fase final de um Mundial. Agora, cabe a Paolo Maldini trazer de novo um sopro de ar fresco de campeão mundial à Azzurra.
Foi essa a decisão do novo presidente da federação, Giovanni Malago, eleito para o cargo há apenas algumas semanas. Pelo menos, a Federazione Italiana Giuoco Calcio, ou FIGC, volta agora a ter nomes em cargos-chave que estavam vagos desde o terceiro fracasso consecutivo nos play-offs: Maldini pertence ao panteão dos heróis do futebol italiano, uma categoria em que nenhuma cor de clube jamais se opôs.
Com Maldini, a federação revoluciona-se
O eterno capitão do Milan e o capitão de todos os tifosi. De Cesare a Paolo e a Daniel, uma dinastia íntegra como a dos Agnelli — só que no relvado. No único «escândalo» da sua carreira, ele não teve, evidentemente, qualquer culpa — na loucura fervilhante de que a sua elegância nunca recebeu a Bola de Ouro. Foi sempre uma daquelas raras espécies sem nome próprio e apelido, foi sempre a simbiose «Paolomaldini», porque era assim que as coisas se encaixavam.
Agora, Paolomaldini assume, portanto, o complicado legado dos seus antecessores — a eminência Gigi Riva, o motivador de espírito Gianluca Vialli e Gigi Buffon, que tentou em vão levar a organização para a era moderna. Para Maldini, a federação está a passar por uma revolução, pois, pela primeira vez, o diretor técnico torna-se chefe do «Club Italia», ao qual todas as seleções nacionais estão subordinadas. Esta função cabia anteriormente ao presidente da federação.
No entanto, a experiência de 902 jogos pelo AC Milan e 126 internacionalizações não será, por si só, suficiente, pois os problemas estruturais do Calcio não se resolvem com um nome de peso no comando. Para dar resposta a esta situação, o técnico de 58 anos chamou o seu antigo colega de equipa, Leonardo, para o apoiar na função de consultor. Ambos jogaram juntos durante cinco anos em Milão; em 2018, o então diretor desportivo Leonardo contratou o seu amigo Maldini como diretor desportivo do AC Milan.
Uma dupla que combina competência, carisma e profissionalismo, que recebeu um contrato de quatro anos para evitar o próximo desastre no Mundial. «É um projeto que nos deve levar, passando pelo próximo Euro, até ao Mundial», afirmou Malago. Ele próprio, na qualidade de presidente da FIGC, poderá já não chegar a ver isso, pois daqui a dois anos haverá novas eleições.
A ideia de Mancini beira o ridículo
Até lá, pelo menos o novo treinador da Itália deverá estar definido. Também esta decisão cabia sempre exclusivamente ao número 1 da FIGC; agora, Maldini e Leonardo serão envolvidos na escolha. «Sei que sou o responsável, mas vamos decidir em conjunto nos próximos dias. Quem sabe, talvez nós os três cheguemos à mesma conclusão», afirmou Malago com delicada diplomacia, pois as opiniões estão muito distantes.
O presidente da federação favorece o seu amigo Roberto Mancini, mas até a simples ideia de um segundo mandato beira o ridículo. Mancini tinha, certes, conduzido os Azzurri à vitória no Euro de 2021, mas, em meados de agosto de 2023, demitiu-se de forma muito desonrosa por e-mail, para, pouco menos de duas semanas depois, assinar contrato como treinador da seleção da Arábia Saudita por quase 30 milhões líquidos por ano. Antes da sua demissão, não teria havido qualquer contacto, afirmou Mancini, e quem pensasse mal disso não era, de forma alguma, malicioso.
Maldini e Leonardo não estão muito entusiasmados com a ideia, pelo que o órgão decisor terá de analisar a lista de candidatos. Antonio Conte, por exemplo, que acabou de deixar o Nápoles, mas com quem Maldini não passaria férias. Mais provável seria Stefano Pioli, que conquistou o Scudetto em Milão durante a era de Maldini, mas que no ano passado levou a Florença à ruína.
Conversas informais com Guardiola
Maldini e Leonardo dão preferência a dois candidatos: Andrea Pirlo e Pep Guardiola. Maestro incontestável em campo, Pirlo acumulou uma experiência modesta no banco da Juve, do Karagümrük, da Sampdoria e, atualmente, do FC United, no Dubai; no entanto, a dupla parece, ainda assim, convencida das suas ideias.
Houve conversas informais com Guardiola, que, na verdade, pretendia fazer uma pausa mais longa, mas o espanhol teria de abdicar de alguns zeros no salário. Há sonhos e, no caso da FIGC, que passa por dificuldades financeiras, há também a realidade dos números. Guardiola nunca escondeu o seu apreço pela Itália e, se alguém o pudesse convencer a aderir a um projeto, esse alguém seria certamente o Maldini. Desculpem, o Paolomaldini.

