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Foi por causa dele que a FIFA introduziu os cartões amarelo e vermelho: a Argentina chora a morte de Rattin

Como não conseguia controlar-se, teve de ser retirado do campo pela polícia durante o Mundial de 1966 — e, posteriormente, mudou o futebol de forma radical. Agora, Antonio Rattin faleceu.

Antonio Rattin, também conhecido como «El Rata» (em português, «o rato»), jogou exclusivamente pelo Boca Juniors entre 1956 e 1970 (353 jogos, 26 golos) e era apreciado pelo seu estilo de jogo sólido, calmo e sereno. O médio chegou também a integrar a seleção argentina, jogou 34 vezes pela Albiceleste (um golo) e participou no Mundial de 1962 no Chile e no Mundial de 1966 em Inglaterra — neste último, ganhou fama mundial devido a um incidente e obrigou mesmo a FIFA a alterar as regras do futebol e a introduzir os cartões amarelos e vermelhos.

Nos quartos-de-final contra a anfitriã Inglaterra, que os «Three Lions» acabaram por vencer por 1-0 a caminho do seu único título até à data, ocorreu uma disputa entre Rattin e o árbitro alemão Rudolf Kreitlein. Rattin, que era o capitão da Argentina, queixou-se repetidamente durante o jogo, já tinha recebido dois cartões amarelos e acabou por ser expulso do campo pelo árbitro de Estugarda, depois de o ter insultado novamente na sequência de uma falta assinalada contra ele.

Rattin, porém, recusou-se a sair do campo, permaneceu em campo durante vários minutos e lamentou-se. Por fim, foram necessárias até duas intervenções de polícias ingleses para retirar o argentino do campo. Ao sair do campo, tornou-se ainda mais impopular junto do público da casa, por ter amassado uma bandeira inglesa. Como consequência deste incidente, a Federação Internacional de Futebol (FIFA) introduziu os cartões amarelos e vermelhos para advertências e expulsões.

A ideia partiu do árbitro inglês Ken Aston, com o objetivo de poupar os jogadores, os espectadores e o próprio árbitro, em jogos internacionais, de problemas de comunicação decorrentes de barreiras linguísticas e de cenas caóticas como as que ocorreram na Copa do Mundo de 1966 — assim, a antiga prática, em que todas as advertências e expulsões eram proferidas oralmente, chegou a um fim abrupto.

Uma vida dedicada ao Boca Juniors

A nível de clubes, Rattin jogou apenas pelo Boca Juniors, com quem conquistou quatro campeonatos (1962, 1964, 1965 e 1969) e uma Taça do País (1969). Após o fim da sua carreira de jogador, este gigante de 1,91 metros tentou a sorte como treinador, mas sem grande sucesso — entre 1977 e 1979 treinou o Gimnasia y Esgrima de La Plata e, em 1980, o Boca Juniors, onde ainda hoje é venerado.

Faleceu agora aos 89 anos, conforme informou o seu antigo clube. «É com grande pesar que nos despedimos de Antonio Ubaldo Rattin, o ídolo e rosto do nosso clube», comunicou o Boca no sábado nas suas redes sociais. Também a Federação Argentina prestou-lhe homenagem: «Com a sua morte, despede-se um dos maiores capitães da história da seleção argentina.»

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