A Electronic Arts está perante uma viragem histórica. A gigante dos videojogos despede-se do mercado bolsista. Entre novas oportunidades e menos transparência, decide-se agora a quem pertence realmente o futuro da EA.
Com a conclusão da aquisição planeada por um consórcio formado pelo fundo soberano saudita PIF, pela Silver Lake e pela Affinity Partners, a editora passa a ser uma empresa privada. As ações desaparecem do mercado e, com elas, grande parte das obrigações de prestação de contas até agora existentes.
A própria EA fala de um novo capítulo para a empresa. O CEO da Electronic Arts, Andrew Wilson, encara a conclusão da transação como um ponto de partida para novos desenvolvimentos: «Juntos, iremos investir com determinação, acelerar a inovação e desenvolver a próxima geração de jogos e experiências.»
Paralelamente, alteram-se as condições gerais relativas ao controlo público do grupo. Com a conclusão da aquisição, as ações da EA deixarão de ser negociadas na bolsa e serão retiradas da National Association of Securities Dealers Automated Quotations (NASDAQ).
No futuro, será a própria EA a determinar o que é divulgado ao público
Enquanto empresa cotada em bolsa, a Electronic Arts era obrigada a publicar regularmente informações detalhadas. Estas incluíam, entre outros, receitas, lucros, riscos, investimentos e previsões para o futuro.
A própria aquisição demonstra o valor destes documentos. Só através dos documentos oficiais é que foram tornados públicos inúmeros detalhes sobre o financiamento, os possíveis riscos e as condições do negócio.
Entre estes, destaca-se a indemnização por rescisão acordada, que poderá ser devida caso a transação venha a falhar em determinadas circunstâncias. Foram igualmente divulgados os encargos financeiros e a estrutura prevista para a aquisição.
A EA promete liberdade a longo prazo
Do ponto de vista da editora, a saída da bolsa também traz vantagens. Sem a influência das expectativas de curto prazo dos acionistas, a EA pode planear melhor a longo prazo e prosseguir com investimentos que não têm necessariamente de produzir resultados já no próximo trimestre.
É precisamente este ponto que o consórcio também salienta. No comunicado, o PIF descreve a EA como uma empresa com uma plataforma sólida, bem como marcas globais de desporto e jogos, e considera-se um parceiro de longo prazo da direção.
A própria EA associa esta medida principalmente a investimentos em novas tecnologias e experiências de jogo. Egon Durban, presidente do conselho de administração e sócio-gerente da Silver Lake, afirmou no comunicado da EA: «Estamos orgulhosos de, em conjunto com a PIF e a Affinity Partners, investir amplamente no crescimento da EA, nomeadamente nas oportunidades que a IA oferece para melhorar o desenvolvimento de jogos e a experiência dos jogadores.»
A grande questão: quem beneficia com isto?
No entanto, ainda não se sabe se esta nova liberdade acabará por chegar aos jogadores. Menos controlo público não significa automaticamente melhores jogos. O que será decisivo são os objetivos que os novos proprietários pretendem alcançar. O objetivo principal será o desenvolvimento das marcas a longo prazo? Ou o foco estará numa monetização ainda mais forte?
É precisamente no caso da EA SPORTS FC que esta questão se tornará rapidamente evidente. A forma como for gerido o Ultimate Team, os novos conteúdos e a comunidade deverá revelar o rumo que a EA irá tomar sob os novos proprietários.
Uma nova etapa para a EA
A saída da bolsa marca, assim, mais do que apenas uma alteração na estrutura acionista. A Electronic Arts ganha novas liberdades, mas perde, ao mesmo tempo, parte do controlo público.
Fica assim claro que as informações regulares sobre a evolução económica do grupo pertencem ao passado. No futuro, dependerá mais das informações que a própria EA publicar — e das informações que a editora decidir divulgar ao público.

