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Efeito «Drag Crisis»: o que torna a bola do Mundial traiçoeira para os guarda-redes

Os golos de longa distância estão longe de ser uma raridade no Mundial de 2026 — mas até que ponto são favorecidos pela nova bola do Mundial? Um estudo realizado na Ásia revelou factos surpreendentes.

Foi um Mundial que ficou na memória de muitos como aquele dos golos de longa distância. Isso deveu-se, provavelmente, também à bola utilizada na altura: no Mundial de 2010, a imprevisível «Jabulani» causou grande agitação.

A bola suscitou críticas por todo o lado, tanto por parte de treinadores, como de jogadores e guarda-redes. «Esta bola é a pior que já vi na minha vida», queixou-se o então selecionador da Inglaterra, Fabio Capello. «Não conseguimos habituar-nos a ela», afirmou Lionel Messi. O guarda-redes espanhol Iker Casillas chegou mesmo a atribuir à bola um «carácter insondável».

E como está a situação com a bola atual do Mundial? Também esta parece ter as suas peculiaridades, como demonstra um estudo realizado por cientistas sul-coreanos e japoneses intitulado «Crise de resistência ao ar dependente da orientação e comportamento de voo da bola oficial do Mundial da FIFA, Trionda», resumido pelo Guardian.

Segundo o estudo, os investigadores lançaram a bola a partir de seis ângulos diferentes através de um túnel de vento, para medir os efeitos das forças aerodinâmicas sobre ela. O resultado: independentemente do local onde a bola fosse atingida, assim que atingisse uma determinada velocidade, a sua velocidade aumentava novamente.

Os investigadores da Universidade Feminina de Seul e da Universidade de Tsukuba atribuem este fenómeno ao chamado efeito «Drag Crisis». Este ocorre quando um objeto que voa pelo ar atinge o ponto em que o fluxo de ar à sua volta passa de um estado liso para um estado turbulento. Quando o fluxo é turbulento, perturba a resistência do ar atrás de um objeto em movimento, o que permite que este se desloque mais rapidamente.

Uma bola que ganha velocidade em vez de abrandar? É claro que isto pode tornar-se um problema para os guarda-redes.

Sobretudo porque, segundo os investigadores, o efeito também influencia a trajetória da bola. No entanto, os efeitos parecem ser mínimos. De qualquer forma, até agora não se verificou uma reação coletiva como a que ocorreu na altura, durante o Mundial de 2010. Segundo a FIFA, graças aos seus apenas quatro painéis, cria-se, de qualquer forma, «uma superfície que garante uma estabilidade de voo ideal, assegurando uma resistência ao ar suficiente e uniformemente distribuída enquanto a bola voa pelo ar». O fabricante Adidas explicou antecipadamente que a Trionda 300 foi submetida a testes de laboratório e que o design visa garantir «uma trajetória mais previsível».

33 golos de longa distância após a fase de grupos

A verdade é que os especialistas em remates de longa distância estão em plena forma no Mundial de 2026. Se analisarmos as fases de grupos dos últimos seis Mundiais, nunca se registaram tantos golos de longa distância (33 golos/0,46 por jogo). Em segundo lugar está o Mundial de 2010 (27/0,42); na África do Sul, porém, a percentagem de golos de longa distância em relação ao total de golos foi superior à do Mundial atual (18,6% contra 15,3%). E o número total de golos deve-se, naturalmente, ao facto de, desta vez, terem sido disputados 72 jogos em vez de 64.

Messi esteve presente em ambas as edições do Mundial, e o argentino continuará a não derramar uma lágrima pela bola Jabulani — o jogador, que participou seis vezes no Mundial, não conseguiu marcar um único golo de longe na África do Sul. No total, porém, já marcou sete vezes de longe; ninguém marcou com mais frequência desde o Mundial de 2006 (em segundo lugar estão Kylian Mbappé, Diego Forlán e David Villa, com três golos cada). Nos primeiros três jogos do Mundial de 2026, Messi marcou por si só três vezes de longa distância.

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