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«Como um 8, como o infinito»: Cazorla anuncia o fim da carreira

Aos 41 anos, Santi Cazorla pendura as chuteiras. O espanhol encerra a sua carreira com um despromovimento, mas também «exatamente onde a magia começou».

Do Catar, Santi Cazorla regressou, na época de 2023/24, ao local onde a sua longa e bem-sucedida carreira teve início. No Real Oviedo, o clube onde cresceu e onde já tinha trabalhado como apanhador de bolas, embora não a nível profissional, o espanhol passou as últimas três épocas. Um regresso especial sob vários aspetos.

«Jogaria de graça, mas isso não é permitido», tinha declarado Cazorla em 2025, tendo acabado por receber o salário mínimo obrigatório de 91 000 euros. No final da sua carreira, disputou 89 jogos oficiais pelo Oviedo, clube que, entretanto, tinha levado à tão esperada promoção para a La Liga, já como titular. Na última época, Cazorla somou 28 jogos na primeira divisão, mas não conseguiu impedir o rebaixamento imediato.

A sua carreira, que agora chega ao fim, não deve, de forma alguma, ser menosprezada por esta circunstância. Nem a gratidão e o respeito do clube do seu coração: «Desde o primeiro dia do seu regresso, o médio mostrou-se como aquilo que é: uma figura de referência. As suas qualidades de liderança, o seu empenho e a sua habilidade tornaram-se um exemplo para a equipa e um motivo de alegria para os adeptos, que recuperaram um dos seus», afirma-se num vídeo de despedida do Real Oviedo.

O próprio Cazorla também não poderia ter imaginado um final melhor do que passar os últimos anos da sua carreira profissional na sua terra natal: «No final, regressei — não para encerrar um ciclo, mas para voltar a sentir aquilo. Para me lembrar porque é que comecei. E agora, quando tudo se apaga, as chuteiras são penduradas no prego e o barulho dá lugar ao silêncio, tudo faz sentido. O fim foi na minha casa, exatamente onde a magia começou. Porque há histórias que nunca acabam, mas permanecem para sempre. Como um 8, como o infinito», afirmou o jogador de 41 anos.

Um regresso milagroso do ponto de vista médico

Cazorla faz um balanço de uma carreira ao longo da qual conquistou, entre outros títulos, duas vezes o Campeonato da Europa com a Espanha (2008, 2012) e duas vezes a FA Cup com o FC Arsenal (2014, 2015). A maioria dos jogos oficiais, 330 no total, disputou-os pelo Villarreal.

«Vivi momentos muito bonitos… Mas também momentos difíceis com os quais não contava», resume o espanhol, cuja carreira poderia ter terminado muito mais cedo. Entre 2016 e 2018, esteve afastado dos relvados durante 636 dias devido a uma lesão grave. Foi necessário reconstruir um troço de oito centímetros do seu tendão de Aquiles com pele transplantada do antebraço. No entanto, nem mesmo as oito cirurgias a que foi submetido o impediram, em última análise, de continuar no futebol profissional durante muitos mais anos.

Ainda não se sabe a que tarefas Cazorla se irá dedicar no futuro. Em Oviedo, as portas estarão, de qualquer forma, «sempre abertas» para ele, esclareceu o clube: «Este será sempre o seu lar, e o clube pretende continuar a construir o futuro em conjunto com o Santi — no papel, no nível e na função que ele próprio escolher e que o façam feliz.»

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