O diretor da Ferrari, Frederic Vasseur, explica quais são as repercussões da atual incerteza em relação ao calendário — ele prevê uma decisão final em setembro
A Fórmula 1 vai correr este ano no Catar e em Abu Dhabi ou não? Por enquanto, ambas as provas do Campeonato do Mundo continuam no calendário e deverão realizar-se, mas, devido à situação no Médio Oriente, não se pode excluir a possibilidade de as duas corridas, que estão previstas para encerrarem a temporada de 2026, venham a ser canceladas.
Caso isso venha realmente a acontecer, está atualmente em discussão uma final de temporada alternativa em Imola. Isto coloca alguns desafios aos equipos de Fórmula 1 no que diz respeito aos seus planos. «Não se sabe se ainda faltam dez ou doze corridas», explica o diretor da Ferrari, Frederic Vasseur.
Na verdade, existem atualmente vários cenários. Se as duas corridas fossem canceladas sem substituição — o que é bastante improvável, uma vez que Stefano Domenicali já anunciou que não deixará a época terminar em Las Vegas —, restariam, a partir de agora, apenas nove corridas.
Com uma «final de substituição» em Imola, restariam dez; caso fosse possível correr no Médio Oriente, restariam onze Grandes Prémios. «Em algum momento, teremos de tomar uma decisão», esclarece Vasseur, invocando sobretudo razões logísticas.
Embora as corridas no Catar (29 de novembro) e em Abu Dhabi (6 de dezembro) estejam previstas para daqui a três meses. «Mas penso que, por razões logísticas, temos de tomar uma decisão em conjunto até setembro, uma vez que temos de enviar o equipamento para o Médio Oriente», salienta Vasseur.
Embora as duas corridas só venham a realizar-se daqui a vários meses, segundo o diretor da equipa da Ferrari, a decisão tem de ser tomada já nas próximas semanas. Tal decisão teria, então, mais uma vez impacto em alguns desenvolvimentos nas equipas.
Não estão previstas atualizações para a final da época, mas…
«O plano de desenvolvimento não muda por se tratarem das duas últimas [corridas]. Não vamos apresentar nada de novo nas duas últimas», salienta Vasseur. Ou seja: na Ferrari — e provavelmente também em quase todas as outras equipas — nunca estiveram previstas grandes atualizações para o Catar e Abu Dhabi.
Nesse aspeto, nada mudaria, mas Vasseur explica também: «O teto de custos pode ser um ponto mais delicado, pois os custos da viagem ao Abu Dhabi e ao Catar para disputar duas corridas são enormes.»
«Se não formos até lá, talvez possamos gastar esse dinheiro noutro lugar antes, por exemplo, no desenvolvimento ou algo semelhante», afirma o diretor da equipa. Afinal, um Grande Prémio em Imola seria significativamente mais barato para as equipas sediadas na Europa do que duas corridas no estrangeiro.
O dinheiro que se pouparia com isso, ao abrigo do limite de custos, poderia então ser gasto, por exemplo, em atualizações adicionais. Também por isso seria importante para as equipas uma decisão atempada, embora Vasseur esclareça que, de momento, ainda se encontra relativamente tranquilo.
Uma decisão nas próximas semanas será «ainda a tempo de dar resposta às últimas seis ou sete corridas após setembro», afirmou o chefe de equipa da Ferrari.

