Após a lesão de Ismael Saibari, Brahim Diaz, entre outros, passa para o primeiro plano.
Não estava mesmo com disposição para comemorar; bastou um breve olhar para o rosto de Ismael Saibari. Enquanto os colegas corriam para a bancada dos adeptos após a vitória por 3-0 contra o Canadá, o futuro jogador do Bayern seguiu-os lentamente. A lesão na coxa provavelmente não lhe permitia muito mais.
Para Saibari, os oitavos-de-final do Mundial em Houston duraram apenas 20 minutos; depois disso, teve de abandonar o jogo devido a uma lesão na coxa — provavelmente sofrida num duelo com o defesa-central Moise Bombito. Em campo, tirou a camisola pela cabeça, frustrado; pouco depois, escondeu o rosto no banco, vestindo a camisola da FIFA. Será que pressentia que isto poderia significar o fim da sua participação no Mundial? Ainda não há um diagnóstico para o avançado de 25 anos. No entanto, tanto Marrocos como o FC Bayern estão apreensivos.
Na ausência deste jogador-chave — Saibari marcou em todos os três jogos da fase de grupos e também na eliminatória das oitavas de final contra a Holanda, na série de penáltis —, cabe agora a outros jogadores assumirem o protagonismo. Desta vez, quem se revelou o herói da partida contra os canadenses, que lutaram com bravura e se mostraram difíceis de vencer durante muito tempo, foi o médio Azzedine Ounahi, que, com dois remates bem pensados e precisos, marcou os dois primeiros golos e, assim, decidiu o resultado.
Além disso, Brahim Diaz voltou a dar nas vistas, mantendo-se invicto na sua 31.ª internacionalização pelo Marrocos, mesmo à sombra da transferência de 50 milhões de Saibari. O técnico e ágil jogador do Real Madrid contribuiu com duas assistências contra o Canadá, somando já quatro assistências em todo o torneio. «Estou muito feliz com tudo o que contribuo e com a forma como ajudo os meus colegas de equipa», disse o jogador de 26 anos com um sorriso, acrescentando com grande sentido de responsabilidade: «O mais importante é o que alcançamos como equipa.»
Esta é a primeira vez que a seleção chega aos quartos-de-final, pela segunda vez consecutiva desde o Mundial de 2022. E, ao contrário do que aconteceu no Catar, a França, candidata ao título, não espera desta vez apenas nas meias-finais, mas já nos quartos-de-final, em Boston. Será que, face à derrota por 0-1 no torneio anterior, sente vontade de vingança? «Não gosto de falar de vingança, porque não sou assim», explicou Diaz. «Sou um tipo modesto e quero manter os pés no chão.»
E, mesmo assim, o modesto extremo direito continua a trabalhar para prolongar a sua série de excelência, seja com ou sem Saibari. «Acho que o apoio e o carinho que recebi de todo o Marrocos desde a minha chegada são simplesmente incríveis.» Em 2021, Diaz ainda tinha estreado pela Espanha, quando uma seleção sub-21 teve de substituir os titulares num jogo amigável contra a Lituânia (4-0), devido às medidas contra a Covid. Na altura, Diaz marcou e, pouco tempo depois, acabou por se transferir para a federação marroquina. 31 jogos, 14 golos e nenhuma derrota mais tarde, ele não se arrepende de forma alguma dessa decisão — apesar da ruidosa final da Taça de África contra o Senegal, em que falhou miseravelmente um penálti.
O presente chama-se Mundial e chama-se França. Esta seleção marroquina é difícil de derrotar; contra o Canadá, bastou uma exibição que deixa margem para melhorias, mas contra a França a situação deverá ser diferente.

