No Grande Prémio da Hungria, muitos pilotos no pelotão não sabiam ao certo se estavam a ser ultrapassados ou se as bandeiras azuis se destinavam a outro piloto
No Grande Prémio da Hungria, as ultrapassagens causaram um alvoroço invulgar. Segundo a FIA, houve problemas técnicos no Hungaroring, o que impediu o recurso às bandeiras azuis automatizadas. Consequência: recorreu-se a bandeiras acenadas e a sinais luminosos acionados manualmente pelos comissários de pista.
A colisão entre Carlos Sainz e Oscar Piastri, em particular, ilustra bem os problemas daí decorrentes. Embora tivessem sido acenadas bandeiras azuis ao piloto da Williams, o quatro vezes vencedor de Grandes Prémios ignorou a instrução e bloqueou Piastri, que disputava a vitória, no primeiro setor.
Poucas voltas depois, Sainz recebeu uma penalização de tempo de cinco segundos. Mas, para além desta pequena colisão, ocorreram repetidamente cenas semelhantes no Hungaroring.
«Não recebemos qualquer feedback no painel de controlo», explica Esteban Ocon após a corrida. «Só vimos os painéis das bandeiras azuis, mas sem os nossos números.»
«Por exemplo», diz Ocon, «lutei contra o Isack [Hadjar] à saída do pit lane, apesar de estar a uma volta de atraso. Mas eu não sabia disso. Talvez o tenha atrasado durante três curvas.»
Ocon não foi o único a ficar confuso com os sinais na pista. Assim, Kimi Antonelli conta na sala de arrefecimento, antes do pódio, que também ele acreditou, durante várias voltas, que lhe estavam a mostrar bandeiras azuis por engano.
Ou seja: Para quem exatamente se destinavam as bandeiras azuis permaneceu, muitas vezes, um mistério para os pilotos. Também pilotos como Sergio Perez e Valtteri Bottas confirmam os problemas técnicos.
O piloto da Haas, Oliver Bearman, expressa-se de forma semelhante após a corrida. Por momentos, também o jovem piloto da Ferrari atrasou a Red Bull de Hadjar e sublinha: «Sinceramente, aquilo lá fora foi um pesadelo.»
«No interior do circuito, não tens tempo para olhar para os espelhos», afirma o piloto da Haas. «E, em cada volta, os painéis das bandeiras azuis estavam a piscar. Nesta corrida, não funcionaram corretamente. Por isso, era difícil saber se [as bandeiras azuis] se destinavam a ti, ao carro atrás de ti, ao carro à tua frente ou a quem quer que fosse.»
«É claro que não foi de propósito», explica Bearman sobre o seu pequeno encontro com Hadjar. «Estou uma volta atrás e tento não fazer nada de mal. Mas, claro, lamento se tiver prejudicado a corrida de alguém.»
Bearman salienta explicitamente que, da volta 6 à volta 70, se viam bandeiras azuis em todas as voltas. «Normalmente», diz o piloto da Haas, «vês o teu número ali. Desta vez, só se via o azul.»

