Graças à subida à Premier League, o Hull City pode comemorar cerca de 230 milhões de euros, mas enfrenta dificuldades devido às diretrizes financeiras em vigor em Inglaterra.
No «jogo de futebol mais rico», a final dos play-offs para a promoção à Championship, a segunda divisão inglesa, o Hull City garantiu o último bilhete para a Premier League. Graças ao golo decisivo do dia, marcado nos descontos contra o Middlesbrough, «The Tigers» regressaram, pela primeira vez após nove anos — incluindo uma breve passagem pela League One —, à primeira divisão do futebol inglês.
Não se trata apenas de uma surpresa a nível desportivo, mas, acima de tudo, de um enorme sucesso financeiro. Um clube recém-promovido à liga mais rica do mundo pode contar com o equivalente a cerca de 230 milhões de euros. No entanto, embora o Hull City venha a encontrar-se numa situação financeira melhor do que há muito tempo graças aos milhões da Premier League, os responsáveis do clube têm de lidar com uma situação curiosa.
Devido ao incumprimento das «Profit and Sustainability Rules (PSR)», o clube recém-promovido pode agora até enfrentar a ameaça de uma dedução de pontos. Estas regras foram introduzidas para garantir que os clubes não gastem, no total, mais do que podem receber. As perdas são acumuladas ao longo de três anos e não podem exceder os 39 milhões de libras para uma equipa que tenha jogado na Championship durante esse período. Para os clubes da Premier League, o limite é de 105 milhões de libras.
O proprietário encara o futuro com otimismo
Se este limite de prejuízo for ultrapassado, os clubes enfrentam a ameaça de deduções de pontos: três pontos para prejuízos até dois milhões de libras, cinco pontos para prejuízos entre dois e quatro milhões de libras e seis pontos para prejuízos entre seis e oito milhões de libras. Um cenário que agora ameaça os Tigers devido à subida à Premier League. Pois, neste momento, o clube recém-promovido não cumpre esses cálculos.
Curiosamente, a culpa recai sobre os bónus de promoção para os jogadores, que a BBC estima, com base na opinião de um especialista, entre dez e 15 milhões de libras — o défice dos Tigers situa-se em cerca de seis milhões de libras. Na Championship, o Hull não enfrentaria, portanto, qualquer problema. Se for possível evitar uma dedução de pontos na já desafiante missão de se manter na liga, o défice terá de ser compensado até à data-limite de 1 de julho de 2026.
Recentemente, o proprietário do Hull, Acun Ilicali, admitiu de forma surpreendentemente franca como é que isto será concretizado: «Ultrapassámos o nosso orçamento e temos de vender alguns jogadores antes de 1 de julho», afirmou o turco de 57 anos. Ilicali não está preocupado com isso; pelo contrário, encara o futuro com otimismo. «Já superámos situações mais difíceis. Para nós, isto é mais fácil de gerir», anunciou. «Agora que somos uma equipa da Premier League, o valor de mercado aumentou, o que é uma grande vantagem.»

